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Apaixonados
em Auschwitz
Uma História
de Amor no Inferno
Deportação para Auschwitz
Cyla Cybulska completou 19 anos naqueles idos de 1940 e tinha planos
de estudar Farmácia. Filha de uma abastada familia de judeus, seu
pai possuía um próspero moinho na cidade de Lomza, Polônia,
empregando quase cem pessoas. As quatro crianças cresciam sob os
cuidados de criadas que também ajudavam na formação
dos mesmos.
O pai de Cyla não acreditou, no início, nas histórias
e rumores que persistentemente chegavam aos ouvidos de todos.
À crescente insegurança e dúvidas da mãe
ele sempre respondia convicto: " Isso não pode ser verdade. Os alemães
formam um povo civilizado. Algo assim não acontece mais neste século".
Cyla recebeu uma educação, ainda para os dias de hoje,
acurada. Desde criança teve aulas de piano, da mema forma que sua
irmã. Os dois irmãos aprenderam a tocar violino. Os judeus
europeus sempre tiveram um forte arraigamento musical que é fomentado
na familia. Os Cybulskas tinham um bom nome na região, social e
empresiarialmente. Uma vez por ano todos os funcionários eram reunidos,
convidados na casa do patrão, faziam uma grande festa. Comemoravam
juntos o sucesso da empresa ao lado da próspera familia.
O preconceito contra judeus não chegou à Polônia
através dos alemães. Ele já existia muito antes da
invasão nazista em 1939. Muitos judeus chegaram à própria
Alemanha, tamanha ironia, originalmente fugindo da perseguição
em outras regiões da Europa. Pogrom por exemplo, é uma palavra
russa, que caracteriza bem ao tratamento dado aos judeus naquele país.
Isso muito antes de Hitler chegar ao poder.
Em Lomza entretanto, se é que existia algum preconceito, ele
vivia adormecido e ninguém, a não ser em uma ou outra piada
esporádica em rodas de bar, possuía sentimentos anti-semitas
declarados. A maioria nem se dava ao trabalho de investigar quem é
quem, porquanto e por quê. Havia judeus ricos e pobres, não-judeus
ricos e pobres, todos na mais completa harmonia do dia a dia, pelo menos
aparentemente. Pelo menos até 1940.
Em 1943 a recepção aos recém-chegados em Auschwitz
sofrera algumas mudanças operativas. Funcionando a todo vapor, o
campo de concentração adquirira o cárater programado
pelos nazistas de máquina de exterminação humana.
Ainda na rampa de chegada dava-se o que se chamava no jargão nazista
de "Selektion", o selecionamento das vítimas. Agora, além
dos soldados da SS a gritar os comandos, "direita, esquerda!, em fila!
", acompanhavam-nos os médicos do campo de concentração,
que examinavam as condições físicas dos prisioneiros.
Já não havia mais espaço para abrigar a todos, como
nos primeiros tempos, os melhores eram escolhidos, selecionados.
"Meus pais, meus irmãos e minha irmã ficaram na fila
da esquerda, um alemão ordenou para que eu ficasse na fila da direita",
lembra Cyla. "Minha mãe gritou meu nome e acenava me chamando desesperadamente.
Eu saí da fila e corri para junto de minha familia. Um soldado bateu
violentamente na minha cabeça, empurrando-me de volta para o outro
lado. Acho que ele gostou do meu rosto...", continua ela, " depois constatei
que aquele golpe salvou minha vida ".
Horas depois, já devidamente uniformizada de azul e branco,
a cabeça raspada e alojada num dos setores do campo Cyla indaga
uma prisioneira onde poderia estar sua familia. A mulher, sem responder,
ergueu o olhar na direção da chaminé. O crematório
já funcionava como destino final da morte em escala industrial.
Cyla não conseguiu dormir e chorou descontroladamente durante
toda a noite.
* * * * *
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