| ABK NET |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Uma História de Amor no Inferno .3- Nova York, 1983 A jovem imigrante polonesa vive de trabalhos como faxineira em residências
e lojas do Brooklyn. Às sexta-feiras durante a tarde ela cuida da
limpeza em uma pequena joalheria, onde também é encarregada
de fazer pequenas compras. A velha senhora vive sozinha, há alguns
anos viúva sempre bem humorada, porém um pouco recolhida
em si, sem conversar tanto, como outras pessoas para quem a jovem faz os
mesmos serviços.
* * * * * Naquela tarde a velha senhora começou espontaneamente a falar do passado, que começava numa locali- dade chamada Lomza, no norte da Polônia. Cyla Zacharowitz falou da infância feliz, da deportação da familia após a chegada dos nazistas, o destino que a vida reservou para ela, os pais, os irmãos Jacob, Nathan e a irmã Rebecca. Descreveu os últimos momentos juntos, quando sua familia seguiu para a câmara de gás. De repente ela desviou o olhar para a janela da pequena sala. Fez uma pequana pausa e, como num segredo contou: " - Sabe, eu já fui perdidamente apaixonada por um polonês, há muito tempo atrás..., foi ele quem me livrou da morte em Auschwitz ". Um silêncio de dezenas de anos era quebrado naquele momento. Os pensamentos rebuscavam o passado em detalhes. Cyla parecia estar com um leve tremor nos lábios. Parecia tensa mas segura: " - O que ele fez por mim eu jamais esquecerei. Eu o chamava de Jurek. Seu nome era Jerzy Bielecki. Nós nos conhecemos e nos apaixonamos no campo. Ele se tornou para mim o único e tênue motivo, a única razão, que fazia o meu lado vivo resistir contra a parte desiludida e vencida, naquele mundo de Auschwitz ". Após uma curta pausa e o olhar surpreso da jovem, Cyla continou: " - Um dia ele chegou ao meu setor, vestindo um uniforme roubado de soldado da SS, deu ordens de me liberar para o acompanhar e, juntos, marchamos para fora de lá. Vagamos semanas pelos campos e bosques, escondidos dos comandos de busca. Um dia, nos fins de outubro de 1944, a proximidade do inverno e o risco da situação aumentaram o perigo de sermos capturados e nos obrigaram a uma separação temporária. Os russos avançavam, vindos do leste e a derrota dos alemães era uma questão de tempo. Logo nos juntaríamos novamente, para sempre. Aquela separação tática entretanto foi um erro. Desde então nunca mais o vi. A falta de um sinal de vida apos a derrota final dos nazistas, me convenceu de que ele havia sucumbido lutando na resistência. Pouco depois eu parti de onde estava. Tomei os caminhos que me fizeram chegar até aqui a Nova York ". Àquela altura a jovem polonesa muda e sobressaltada, observava perplexa aquela senhora e a história inacreditável. Do fundo de sua memória ela lembrou que conhecia algo remotamente parecido. " - Senhora Zacharowitz, há alguns anos atrás, quando eu ainda me encontrava na Polônia, lembro que assisti uma reportagem na TV, onde um homem contava uma experiência assim. Ele relatou como conseguiu salvar uma jovem judaica do campo de Auschwitz, fugindo com ela de uma forma muito parecida com a que a senhora acaba de contar. Não lembro com certeza entretanto, se o nome dela era Zacharowitz, como o seu ". Cyla sentiu um impacto e realmente foi tomada por um tremor. Com a voz agora insegura, ela entremeiou as palavras da jovem: " - Zacharowitz é meu nome de casada. Meu sobrenome, quando solteira, era Cybulska ". Os instantes que se seguiram àquela revelação carregaram novamente de nervosismo e suspense a vida de Cyla. Vieram quarenta e oito horas de suspense e aflição. Ao fim de dois dias de intensos e numerosos telefonemas, de busca incessante com a ajuda de parentes da jovem na Polônia, ela estava de posse de um número de telefone na cidade de Nowy Targ, no oeste doPaís ". Cyla concentrou-se, procurou controlar a emoção que a dominava e iniciou a discagem do número. * * * * * - Alô, aqui é da central telefonica de Varsóvia, ligação de Nova York para o senhor Bielecki ". - Alô, sim, sim. É ele! Do outro lado da linha, uma voz feminina soou nervosa: - Jurek! Jurek! É você? É você?? Logo após o fim da guerra Jerzy recebera a notícia de
que Cyla havia morrido. Ela padecera na Suécia, como demonstrava
a foto enviada, com ela deitada em um leito de hospital. Ele guadara aquela
foto para sempre. A última e única lembrança que lhe
restara.
Seguindo seu destino pós-guerra, ele terminou os estudos, casou,
tornou-se professor ginasial e pai de três filhos. O tempo ajudou
a guardar em algum canto, no lado esquerdo do peito, adormecido, o amor
desesperado e de final triste que havia avassalado o início de seus
vinte anos.
|
* * * * *..
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Veja nosso encontro com Jerzy Bielecki
ABKNET - Pfarranger
4 - 84416 Taufkirchen / Vils - Germany
Tel.: 0049 - ( 0 ) 8084 - 3359
Fax: 0049 - ( 0 ) 8084 - 7785