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Introdução
1- O silêncio que grita
2- A última viagem
3- Nova York,  1983
4- Anatomia do terror
5- Montes humanos
 6-  Início de um amor
7-  Fugindo do inferno
8-  Final
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Apaixonados em Auschwitz
Uma História de Amor no Inferno

Crematório
Vista de um setor do Campo

.4- Anatomia do Terror

Tadeusz Srogi é uma raridade entre os sobreviventes de Auschwitz. Uma exceção dentro da própria exceção. À pergunta de como conseguiu sair vivo dali, ele não possui até hoje uma resposta: - " Não tem explicação, foi um acidente ter escapado com vida. Várias foram as vezes que acertei as contas comigo mesmo e com Deus ". 
Acertou as contas quando foi, por exemplo, deslocado para um dos mais temidos grupos (pelos prisioneiros) de trabalhos forçados, a "Strafkompanie"- "companhia de correção", citada em numerosos depoimentos horrorizantes de sobreviventes. Outro acerto de contas ao ser vítima de experimentos médicos, como cobaia, quando foi infectado com o protozoário da malária. - " Resisti à febre, aos experimentos e, após isso, à "seleção" que se seguia.  Apesar do esgotamento total, consegui ainda me sustentar sobre as pernas diante dos médicos da SS, no momento da revista.  Quem não podia andar, morria. Era assim ".

Auschwitz não se resumia a um componente isolado, a um campo de concentração independente. Auschwitz fazia parte de um complexo e era peça principal da estrutura de um projeto desenvolvido até os últimos detalhes pelos nazistas. Nunca nos últimos séculos e tantas guerras, a humanidade presenciou algo parecido, seja na forma, no objetivo, nos meios, nos resultados e na organização com o intuito único de destruir, liquidar seres humanos. O perfeccionismo minucioso e elaborado. A perfeição do mal.
É importante voltar a frisar, que os nazistas contaram com imenso apoio popular, chegaram ao poder por vias democráticas, nunca fizeram segredo de suas metas nem principios e, desde o início, propagavam a pseudo-superioridade ariana, a arrogância e ódio racistas, a eliminação sumária de qualquer oposição, sendo amparados numa plataforma política que, se não deixava já claro os métodos a ser usados ou os procedimentos para tal, nunca escondeu os claros propósitos de não tolerar adversários, fossem eles políticos social-democratas, opositores conscientes, ou inocentes crianças de origem judaica. Dois meses após assumir o poder já era colocada em prática a direção das promessas de campanha: A primeiro de abril de 1933 foi realizado o Dia do Boicote, dirigido contra firmas, profissionais liberais, professores e estudantes, de qualquer nível ou atividade economica que fossem judeus. Tadeusz Srogi era nesse tempo um jovem com sonhos e planos, apaixonado pela matemática e cujo único erro teria sido participar de uma reunião onde se discutia a realização de uma manifestação pública, pacífica, contra as forças que haviam invadido sua pátria. Para ele esta atitude teria consequências inimagináveis e irreversiveis..

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O complexo que funcionava em torno de Auschwitz  era formado por um grupo de campos de con- centração, com diferentes graus de importância, todos subordinados ao Campo Central de Auschwitz I, o principal, que ficava a aproximadamente 4 quilômetros da localidade de Auschwitz (Oswieciem em polonês)  daí a origem do nome. Foi erguido e constantemente ampliado a partir de uma antiga instalação militar, em um ponto geográfico que, antes da Primeira Guerra Mundial, demarcava os limites do Império Austro-Húngaro, da Rússia e da própria Alemanha, por esta razão conhecido naqueles tempos como esquina dos três impérios, traduzindo ao pé da letra do alemão. 
Sob a jurisdição de Auschwitz I estavam Birkenau (Auschwitz II), Monowitz (Auschwitz III) e outros próximos, menores como Gleiwitz, Kattowitz, Zator, apenas para citar alguns. 
Destinado originalmente a presos políticos poloneses, a localização central foi um dos motivos que o tornou em pouco tempo o principal e maior complexo de extermínio dos nazistas. A estrutura de funcionamento de Auschwitz obedecia critérios hierárquicos, fascistas que, tanto do lado da SS e Gestapo, como do lado das vítimas, contribuíam para evitar qualquer tipo de resistência. Davam suporte e reforçavam a resignação e controle total dos prisioneiros. 
Tadeusz descreve a hierarquia que sustentava aquele sistema, hierarquia esta que tanto podia favorecer como diminuir as chances de sobrevivência de cada um: 
"- Todos os prisioneiros eram divididos em grupos, os chamados "comandos" cujas tarefas, em regime de trabalho escravo, iam desde a limpeza do campo até ao "Comando Especial", encarregado dos trabalhos nas câmaras de gás e crematórios. Os grupos deste tipo eram chamados Comandos Internos. Os outros grupos denominados "Comandos Externos", prestavam trabalhos forçados às numerosas empresas e fábricas estabelecidas e que vieram a se estabelecer na região, com o objetivo de usufruir da mão de obra farta e barata (como a gigante do aço Krupp), ou em trabalhos de infra-estrutura como construção de ruas, es- tradas, esgotos, etc.." 
Dentro destes comandos havia por sua vez, uma hierarquia própria. Tadeusz continua: - " Cada grupo possuia uma espécie de capataz, escolhido pela SS entre os próprios prisioneiros. A grande maioria deles era de alemães com o triângulo verde. Os prisioneiros arianos, como eles denominavam, tinham nesse aspecto esta regalia. Eram os únicos também que não recebiam a tatuagem com o número. Os capatazes ou "capos" como eram chamados, devido a esta estranha relação e sob pressão para não cair em desgraça perante os nazistas, eram muitas vezes mais perversos que a própria SS. No fim desta escala hierárquica ficavam os judeus e os ciganos. Isso quando escapavam da "seleção",  na rampa de chegada."
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Uma característica relevante é Auschwitz ter sido ao mesmo tempo uma gigantesca empresa, com fábricas, depósitos, minas, atividades agrícolas, hospital, padaria, farmácia, laboratórios, apoiados em um custo de mão de obra igual a zero. A manutenção dos custos nestes limites era garantida pela chegada dos transportes em massa de pessoas e o funcionamento das câmaras de gás e crematórios para os menos resistentes. O ciclo economico se fechava. 
Ter uma qualificação profissional ajudava nas chances de prolongar a sobrevivência. Muitos prisioneiros devem sua vida ao fato de terem sido úteis. Entre eles estão médicos, engenheiros, cientistas, mesmo que fossem judeus. 
Tadeusz lembra: "Um médico famoso, judeu de Budapeste, Dr. Nikoli sobreviveu desta forma. Ele foi assistente de Mengele. Anos depois escreveu um livro, "Eu trabalhei com Mengele". Salvou assim a própria vida." 
Também profissionais de atividades menos intelectuais eram requisitados. Um bom serralheiro ou encanador tinha sua utilidade. 
Fazer parte dos comandos externos era algo cobiçado. Dependendo de qual. O contato com o lado de fora de Auschwitz fazia com que a circulação de informações sobre o que acontecia nos setores anexos, notícias e recados entre os prisioneiros fosse possivel, como também aumentava a possibilidade de se inteirar sobre a situação da guerra no momento. Era além disso uma forma mais provável de se conseguir até mesmo uma porção extra e clandestina de comida,  fundamental para, no mínimo, manter a saúde ao ponto de se escapar de uma das seleções que periodicamente eram feitas dentro do campo. Os prisioneiros armaram dessa forma uma eficiente rede de informações e auto-ajuda. 
- " Nós poloneses tinhamos uma ligeira vantagem por estarmos em nosso próprio país ", diz Tadeusz, " a rede interna de resistência dependia muito de nós. Havia contudo desvios que muito prejudicavam, como roubos entre os próprios prisioneiros, até de sapatos, e subornos para alcançar privilégios. Nisso até a própria SS estava envolvida ". 
O mais fatal dos comandos era o chamado "Comando Especial". Sempre composto de judeus, este grupo era separado dos demais, isolado completamente. Tinha a incumbência de cuidar e fazer funcionar as câmaras de gás, os crematórios e as valas abertas de incineração dos cadáveres, quando os crematórios passaram a não mais acompanhar o ritmo das câmaras. O isolamento era para garantir o segredo deste procedimento, que os nazistas impunham como segredo de Estado. Periodicamente os componentes deste grupo eram substituídos. O destino após ter servido a este comando era a morte, sem atalhos. Este é o motivo que dava a este grupo o codinome entre os prisioneiros de  "Comando de Viagem ao Céu". 
Tadeusz lembra um episódio em outubro de 1944, quando o "Comando Especial" se rebelou e, ciente do destino que os reservava, amotinou-se contra os algozes da SS: 
" Provocaram uma enorme rebelião. Incendiaram instalações e os bombeiros e soldados corriam como loucos. Foram por fim dominados e impiedosamente executados. Um mês após, com a aproximação dos russos pelo leste, as câmaras foram desativadas e pouco depois destruidas pela SS. Era fim de novembro de 1944." 
Tadeusz sabia o que significava tentar fugir do Campo. Ele duvidava muito do êxito de Jerzy, com seus planos de fuga com Cyla. Sua ajuda foi entretanto imprescindível para o êxito da empreitada. 
Após sua chegada a Auschwitz os caminhos dele e Jerzy se separariam até um dia em abril de 1943. Desde os dias em Tarnow e deportação para o campo, era a primeira vez que se reviam.
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1- O silêncio que grita
2- A última viagem
3- Nova York,  1983
4- Anatomia do terror
5- Montes humanos
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7-  Fugindo do inferno
8-  Final

Veja nosso encontro com Jerzy Bielecki

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