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Uma História de Amor no Inferno 6- Início de um amor Jerzy atravessou o enorme portal que dava acesso às dependências
e escritórios do moinho de Auschwitz.
É um engano imaginar que, em determinadas situações, o ser humano perde a relação com determinados sentimentos. Aos poucos foi se formando uma aliança cúmplice que tomou conta de todos os prisioneiros do comando, da área de Cyla ao escritório de Jerzy. Primeiro Cyla passou a executar suas tarefas na posição mais próxima ao corredor que conduzia à sala em que ele trabalhava. Para isso uma companheira cedeu o lugar. Depois, nos momentos propícios, pelo menos uma vez por dia, quando os "capos" se locomoviam por outros setores, formavam um vigília que, funcio- nando por sinais e tossidos, mantinha sob controle visual todas as entradas do recinto e se transformava numa guarda segura permitindo Cyla ir, dissimuladamente, à sala de Jerzy, onde podiam ficar a sós por bons e eternos minutos. Neste tempo os dois se beijavam e se afagavam carinhosamente. Jerzy apertava Cyla ao seu corpo, sentia sua figura frágil o abraçando, descobria cada vez mais quanto a amava e o que Cyla passara a significar em sua vida. Cyla por sua vez, encontrara um motivo para continuar se agarrando à vida. Nada mais restara a ela, que a fugidia felicidade de sentir o calor protetor de Jerzy a resguardando, ainda que por frações de tempo, de todo o inferno que se tornara sua vida. Ela conseguia dormir à noite, tendo uma ponta de felicidade que a fazia ansiosa pelo dia seguinte. Era uma escrava, sem direitos e sem perspectivas, mas ela queria continuar vivendo, ela tinha Jerzy. Ele percebia todavia a fraqueza e debilidade acentuadas que a possuiam. Notava, quando ela pressionava a cabeça no seu peito, que lágrimas vindas de dentro da alma, desciam dos olhos profundos de Cyla. Uma angústia começou a inundá-lo. A idéia de logo perdê-la, o mais leve pressentimento de uma repentina separação o torturavam, não deixando-o mais em paz. Para ficarem juntos só haveria uma saída, a fuga, e Jerzy sabia disso. Era preciso achar um caminho, fosse como fosse. Suas chances de sobreviver, ainda que não tão grandes, eram com segurança maiores que as de Cyla. Além da fragilidade e esgotamento, o fato de ser judia, fazia dela uma candidata potencial à câmara de gás. Jerzy presenciara a que ponto a engrenagem de eliminação havia chegado. . Na mesma medida que os alemães assassinam, aumenta o desespero de Jerzy. Nesses dias ele conversa frequentemente com Tadeusz, seu amigo dos primeiros dias de prisão. As notícias de que os russos cada vez mais se aproximam fazem uma esperança vacilante se espalhar pelo campo. O amigo nota contudo o estado de tensão, a angústia que se abate sobre Jerzy. Ele conhece também os motivos. Jerzy começa sozinho a dar contornos a um plano que vem elaborando sozinho e decide pedir a ajuda fundamental do amigo: - Tadeusz, eu quero perguntar algo. Eu sei o que isso significa e, se sua resposta for afirmativa, eu agradeço para sempre. Sendo negativa não precisa se preocupar, eu entendo e continuamos amigos da mesma forma. - O que é? O que você tem?, perguntou o amigo desconfiado. - Tadeusz, eu preciso de um uniforme completo da SS..., continua Jerzy. - Como? Para que? O que você pretende fazer ? - É para mim Filip, não faça mais perguntas. - Você sabe que eles nos executariam sem vacilar. Você planeja fugir com Cyla, não é verdade? Diga que é isso." - Eu tenho que tentar. As chances de Cyla sobreviver são cada vez menores. Você sabe disso, Tadeusz. Tadeusz acalma o amigo e assegura que tudo fará para ajudar.
Ele sabe que pode pagar com a vida, se surpreendido, mas garante o mais
rápido possivel efetuar o prometido.
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