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terça 07/03/00
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Caio Koch-Weser desiste e retira candidatura para o FMI

Caio Koch-Weser, o brasileiro candidato à chefia do Fundo Monetário Internacional (FMI), desistiu de continuar a luta pelo cargo. Ele havia sido vetado pelo governo americano e foi sistematicamente torpedeado durante todo o processo que culminou com a  eleição preliminar no dia 2 (quinta-feira passada) onde Caio apesar de ter sido o mais votado, não conseguiu a maioria absoluta necessária, ficando com 43.24% dos votos.
O Brasil foi um dos países que não votou no candidato brasileiro. A equipe economica brasileira seguiu a determinação do ministro americano Lawrence Summers, distanciando-se do candidato.
Koch-Weser havia pessoalmente pedido o apoio do Brasil para sua eleição. O grupo brasileiro na direção do FMI possui 2,49% dos votos. Juntando-se a outros países onde o Brasil tem influência, poderia-se matematicamente ter dado uma ajuda decisiva ao candidato.
Os outros pretendentes ao posto, Stanley Fischer, atual chefe interino do fundo e o japonês  Eisuke Sakakibara, sabiam de antemão que tinham nenhuma chance. Stanley Fischer apenas aceitou sua candidatura para não decepcionar o grupo de países africanos que o lançou. Ele nasceu no Zaire.

Campanha de difamação

O chanceler Schroeder, da Alemanha, disse não se conformar com o veto americano ao candidato. Caio Koch-Weser reclamou durante a campanha para o cargo,  o baixo nível e até mesmo difamação a que foi vítima. Jornais como o "Wall Street Journal" chegaram a acusá-lo de conivência com ditadores como Ferdinando Marcos e Mobutu, durante seu tempo de Banco Mundial. Omitiu é claro que o presidente do Banco eram americanos como Robert Macnamara. O londrino "Financial Times" comandou na Europa a campanha contra o candidato. Especula-se que Larry Summers, através de  assessores no seu ministério esteve pessoalmente por trás dos artigos no jornal inglês. Há assistentes do ministro que pertenciam aos quadros  do periódico e continuaram com bom trânsito no mesmo.
Koch-Weser diz na carta de renúncia que entregou ao chanceler Schroeder, que é impossivel dirigir o organismo e guiá-lo em eventuais crises, sem o aval do membro majoritário, dos EUA. Ele escreve também que os fatos ocorridos durante sua candidatura mostram a urgência de se repensar a forma de eleição para organismos internacionais.

Brasil perde sem Caio

O Brasil pode sair perdendo com a desistência de Caio Koch-Weser. O provável europeu candidato será o atual presidente do Banco Europeu de Reconstrução, o alemão Horst Köhler. Ele foi também vice-ministro de finanças da Alemanha no governo anterior, participou de todo o processo da reformas economica e monetária após a reunificação das duas Alemanhas e das negociações para o contrato de Maastricht, que criou a moeda única européia, o Euro. Sua candidatura é considerada como uma vantagem e simpática aos  países do bloco leste. Seu atual campo de atuação, chefiando o banco responsável pelo apoio à passagem para a economia de mercado de vinte e seis países do antigo bloco comunista europeu o faz muito mais próximo e conhecedor da economia destes países, em detrimento outras regiões, América Latina inclusive. 

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Veja o duro caminho de Caio até a renúncia
Brasil mostra ser "pau mandado"
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