Sábado 15/03/2002
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- Brasil perde controle e crime assume
o comando ?
.
A força que o crime, organizado ou não, conquistou no Brasil,
além de assustadora, poderá em pouco tempo levar o país
a uma situação onde o poder legal, as autoridades constituídas
e as populações dos grandes centros e regiões industriais
perderão o controle total, tornando inviável uma solução
a curto ou médio prazo e causando consequências sociais, políticas
e econômicas absolutamente imprevisíveis. Esta é a
opinião quase unânime de cientistas sociais e políticos
e uma evolução que teve seu início dezenas de anos
atrás como, por exemplo, com a simbiose entre bicheiros e autoridades.
A cumplicidade entre os que deveriam defender as leis e os infratores destas,
ofereceu não apenas know how ao crime mas degenerou as instituições.
A luta entre o poder paralelo hoje existente e o poder legal deverá
logo levar o Brasil a uma condição mais grave que a que a
população do Líbano conviveu nos anos 70 e mais preocupante
do que a Colômbia hoje se encontra. Isso já é, no momento,
constatado de forma clara em algumas regiões e nos fatos que se
multiplicam diariamente em algumas capitais. Uma guerra aberta está
sendo travada. Esta é uma verdade que não deve ser subestimada
ou minimizada. Nem há evasivas.
Parceria Bandos brasileiros x FARC é resultado natural
Um cenário no qual a economia e o dia a dia de uma sociedade
são influenciados, mesmo co-gerenciados, pela ação
externa de grupos alheios ou estranhos ao aparelho legal, faz parte da
realidade no Brasil hoje.
O caso dos bandos da droga brasileiros, onde passou despercebido que
o crime organizado ampliava sua malha além das fronteiras e aliava-se
a forças organizadas como a FARC colombiana, numa parceria tanto
financeira como militar, seria o exemplo mais claro deste avanço
incontrolável. O agravante situa-se numa diferença geográfica
de atuação. Enquanto a FARC age na proteção
de uma selva natural, distantes das grandes populações urbanas,
com incursões nestas áreas, no Brasil o caso se dá
nas selvas de pedra das grandes cidades e nas barbas das autoridades. Um
objetivo que a própria FARC ainda não alcançou.
O treinamento militar e intercâmbio é apenas uma particularidade
das alianças existentes nestas situações.
Os estágios táticos no caminho para a ascensão
ao estado generalizado de domínio exigem não somente determinação
mas sobretudo métodos de intimidação e práticas
violentas que sistematicamente adquirem novos e sucessivos níveis,
de acordo com a resistência encontrada ou com a facilidade ou dificuldade
na eliminação dos obstáculos imediatos.
Essa experiência não é limitada apenas a algumas
nações da América do Sul, mas o fenômeno vem
ocorrendo sob diversos aspectos em outras partes do mundo, possuindo no
seu mérito o cunho até mesmo religioso. A surprêsa
no plano internacional é constatar que o Brasil encontra-se idem
neste grupo e em um patamar muito além do imaginável, aparentemente
impotente para fazer frente ao que está por vir. Tanto faz a denominação
das diversas forças paralelas em ação no Brasil, elas
não passam de simples metonomásias de similares existentes,
sejam na citada Colômbia, Indonésia, etc.
As fotos da selvageria
A brutalidade usada por esse literal poder paralelo, e a pecularidade
de que ele não conhece freios nem mesmo entre as paredes de uma
prisão de segurança máxima, causa espanto, perplexidade
e levanta uma séria interrogação de como na verdade
as bases da sociedade brasileira estão corroídas e se os
alicerces de uma democracia mais ou menos recente não estariam prestes
a ser danificados, levando em conta que podem estar, embora a olho nu estes
danos ainda não sejam visíveis.
As três fotos que apresentamos nos links abaixo, foram enviadas
por uma fonte que prefere ficar no anonimato. Segundo ela, as fotos seriam
inéditas e testemunham a selvageria da violência que tem se
ramificado no Brasil. Estas fotografias são o resultado da última
rebelião ocorrida em uma penitenciária no Rio de Janeiro.
Sob o comando do chefe-maior de um bando criminoso, Fernandinho Beira-Mar,
a crueldade refuta ponderações sobre o estado que as coisas
chegaram e silenciam qualquer um.
Pouco importa a origem ou ineditismo das fotos. O que importa é
a desumanidade delas. A selvageria sem precedentes. A esta altura dos acontecimentos
nada ajuda procurar definir as causas e sim buscar soluções.
A publicação das mesmas em nosso site foi uma decisão
que exigiu reflexão. Antes disso as mesmas causaram esturpor a dois
jornalistas estrangeiros aos quais as apresentamos. Um deles julgou tratar-se
de uma das guerras civis nos confins da África, outro de vítimas
dos grupos selvagens que agem na Ásia. Ambos pasmaram ao saber que
trata-se do Brasil do futebol e carnaval.
Seja nossa denúncia para quem ainda duvida se o Brasil não
está também vivendo uma guerra. E um protesto contra a violência
que se abate sobre, como sempre, nosso povo.
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