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Volks: Ascensão e Queda de um homem acima de qualquer suspeita
Renunciando em julho passado, após seu nome surgir no escândalo que há três meses sacode a empresa, ele argumentou, na ocasião, afastar-se dos postos que ocupava por assumir a responsabilidade pelos atos de seus subordinados. Desde então o escândalo passou às primeiras páginas dos jornais e aos horários nobres dos noticiários e talk-shows televisivos. E cada vez mais o nome de Hartz surgia no meio da lama que atola a Volkswagen. Hoje o Ministério
Público de Braunschweig, responsável pela apuração
do escândalo, informou oficialmente que ele foi indiciado
no processo mamute que está sendo movido por falcatruas e
orgias sexuais dos executivos, a custo da Volkswagen, em diversos países,
entre eles Índia e Brasil. A acusação
é de que Hartz tanto utilizava em beneficio próprio
como era um dos principais responsáveis pelos desmandos administrativos
e sistema ilegal de financiamento de "viagens de prazer" patrocinadas
para executivos, políticos e representantes dos trabalhadores
da Volkswagen. O executivo demitido, Klaus Joachim Gebauer,
também indiciado, vinha
afirmando, desde sua demissão, que foi designado responsável
pelas práticas e agia por ordem e conhecimento de seus superiores,
entre eles Peter Hartz, de quem era subordinado imediato. Gebauer
prestou ontem depoimento e o Ministério Público confirmou
que as provas apresentadas por ele são contundentes o suficiente
para indiciar Hartz. Queda por brasileiras:
Josélia era a preferida
Josélia R. (FotoBild) Peter Hartz tinha cadeira
permanente também no conselho da Volkswagen do Brasil, para
onde viajava frequentemente, juntamente com Klaus Volkert, e o próprio
Gebauer. Segundo Gebauer, Peter Hartz tinha uma queda por mulheres brasileiras
e uma de suas preferidas era Josélia Rodrigues (foto acima,
estirando a língua), que trabalhava no bordel Elefante Branco,
em Lisboa, Portugal. Josélia chegou a viajar a destinos
no Brasil, França e outros, por desejo de Hartz, que também
a encontrava nas vezes que o executivo foi a Portugal. Na última
delas, em junho passado, para uma reunião da empresa, Hartz chegou
a tomar um táxi a altas horas da noite e rodar em Lisboa, acompanhado
por Gebauer, à procura de Josélia. Ao não encontrá-la,
Hartz resolveu levar para o feudal Hotel Lapa, onde encontrava-se hospedado,
outra brasileira, de 24 anos, também escolhida no Elefante Branco.
Tudo isso Gebauer revelou em entrevistas, a mais recente na última
semana, no periódico alemão Stern.
Gebauer não revelou o que é que a Josélia
tem, que tanto Hartz fascinou. Hartz não comenta o segredo de
Josélia, que tem 35 anos e uma filha menor. Ela encontrava-se desaparecida,
mas há notícias de que está na França, no momento.
Após a divulgação dos fatos, Josélia
sofreu pressões. Ela é uma garota simples,
de origem humilde que, como numerosas brasileiras, deixam o Brasil para ganhar
a vida no exterior, submetendo-se a riscos, dependentes de cafetões
de casas noturnas e, como se vê, surgem no meio de furacões causados
por executivos inescrupulosos e seus comparsas. Com a medida, Hartz é o quarto executivo da montadora a ser indiciado pela justiça. Os outros três são Klaus Volkert, Klaus-Joachim Gebauer e Helmuth Schuster. Além do Ministério Público, investigam o caso duas auditorias, uma independente, feita pela empresa KPMG, e outra interna da empresa. O presidente da Volkswagen, Bernd Pischetsrieder, afirmou, três semanas atrás, que desconhecia o sistema de falcatruas e viagens de prazer montados e que quer o escândalo apurado totalmente, sem consideração de pessoas ou postos. Diversos envolvidos, contudo, já afirmaram, em diferentes ocasiões, ser muito difícil que o próprio Pischetsrieder desconhecesse o que acontecia. Gebauer reforçou a afirmação em sua última entrevista. Segundo eles, as somas em questão dificilmente passariam despercebidas pelos altos escalões do grupo. |
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