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Volks: Ascensão e Queda de um homem acima de qualquer suspeita 
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Peter Hartz   Peter Hartz ABKnet News -  07/10/2005

Peter Hartz, 64 anos, casado, era o mais conceituado executivo da Alemanha. Pertencendo ao Conselho Executivo da maior montadora da Europa, quarta do mundo e ex-presidente de Recursos Humanos do grupo, ele era considerado um papa nesta área no país. Responsável por modelos de trabalho e inovações nas relações empresa/empregado, que serviam de exemplo a outras companhias, seu nome ia além das fronteiras e do mercado automobilístico. Foi um dos contribuintes da plataforma política do chanceler Gerhard Schröder, a chamada Agenda 2010, e tem seu nome nas disposições que regulam o sistema de assistência legal aos desempregados, as conhecidas como Hartz I até Hartz IV.
Mas, na verdade,  Hartz não era mesmo de lei.

Renunciando em julho passado, após seu nome surgir no escândalo que há três meses sacode a empresa, ele argumentou, na ocasião, afastar-se dos postos que ocupava por assumir a responsabilidade pelos atos de seus subordinados. Desde então o escândalo passou às primeiras páginas dos jornais e aos horários nobres dos noticiários e talk-shows televisivos. E cada vez mais o nome de Hartz surgia no meio da lama que atola a Volkswagen.

Hoje o Ministério Público de Braunschweig, responsável pela apuração do escândalo, informou oficialmente que ele foi indiciado no processo mamute que está sendo movido por falcatruas e orgias sexuais dos executivos, a custo da Volkswagen, em diversos países, entre eles Índia e Brasil.
Seu escritório foi durante a manhã vasculhado através de um mandado de busca e apreensão e a notícia tem causado constrangimento nos meios políticios e econômicos da Alemanha. Hartz é acusado de prevaricação e o Ministério Público informou que ele mentiu em seu depoimento feito na última semana, ainda como testemunha.

A acusação é de que Hartz tanto utilizava em beneficio próprio como era um dos principais responsáveis pelos desmandos administrativos e sistema ilegal de financiamento de "viagens de prazer" patrocinadas para executivos, políticos e representantes dos trabalhadores da Volkswagen. O executivo demitido, Klaus Joachim Gebauer, também indiciado, vinha afirmando, desde sua demissão, que foi designado responsável pelas práticas e agia por ordem e conhecimento de seus superiores, entre eles Peter Hartz, de quem era subordinado imediato. Gebauer prestou ontem depoimento e o Ministério Público confirmou que as provas apresentadas por ele são contundentes o suficiente para indiciar Hartz.

Queda por brasileiras: Josélia era a preferida

Josélia
Josélia R. (FotoBild)

Peter Hartz tinha cadeira permanente também no conselho da Volkswagen do Brasil, para onde viajava frequentemente, juntamente com Klaus Volkert, e o próprio Gebauer. Segundo Gebauer, Peter Hartz tinha uma queda por mulheres brasileiras e uma de suas preferidas era Josélia Rodrigues (foto acima, estirando a língua), que trabalhava no bordel Elefante Branco, em Lisboa,  Portugal. Josélia chegou a viajar a destinos no Brasil, França e outros, por desejo de Hartz, que também a encontrava nas vezes que o executivo foi a Portugal. Na última delas, em junho passado, para uma reunião da empresa, Hartz chegou a tomar um táxi a altas horas da noite e rodar em Lisboa, acompanhado por Gebauer, à procura de Josélia. Ao não encontrá-la, Hartz resolveu levar para o feudal Hotel Lapa, onde encontrava-se hospedado, outra brasileira, de 24 anos, também escolhida no Elefante Branco. Tudo isso Gebauer revelou em entrevistas, a mais recente na última semana, no periódico alemão Stern. Gebauer não revelou o que é que a Josélia tem, que tanto Hartz fascinou. Hartz não comenta o segredo de Josélia, que tem 35 anos e uma filha menor. Ela encontrava-se desaparecida, mas há notícias de que está na França, no momento. Após a divulgação dos fatos, Josélia sofreu pressões. Ela é uma garota simples, de origem humilde que, como numerosas brasileiras, deixam o Brasil para ganhar a vida no exterior, submetendo-se a riscos, dependentes de cafetões de casas noturnas e, como se vê, surgem no meio de furacões causados por executivos inescrupulosos e seus comparsas.

Com a medida, Hartz é o quarto executivo da montadora a ser indiciado pela justiça. Os outros três são Klaus Volkert, Klaus-Joachim Gebauer e Helmuth Schuster. Além do Ministério Público, investigam o caso duas auditorias, uma independente, feita pela empresa KPMG, e outra interna da empresa. O presidente da Volkswagen, Bernd Pischetsrieder, afirmou, três semanas atrás, que desconhecia o sistema de falcatruas e viagens de prazer montados e que quer o escândalo apurado totalmente, sem consideração de pessoas ou postos. Diversos envolvidos, contudo, já afirmaram, em diferentes ocasiões, ser muito difícil que o próprio Pischetsrieder desconhecesse o que acontecia. Gebauer reforçou a afirmação em sua última entrevista. Segundo eles, as somas em questão dificilmente passariam despercebidas pelos altos escalões do grupo.

Jóias, casa de praia e orgias

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