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Apaixonados
em Auschwitz
Uma História de Amor
no Inferno
Antonio Bulhões
Entrada de Auschwitz-Birkenau
.
Introdução
Esta é uma das mais espetaculares histórias sobre Auschwitz,
que já ouvi falar. O casal Jerzy Bielecki e Cyla Cybulska, respectivamente
prisioneiros de números 243 e 29558, fugiu e sobreviveu, pode-se
dizer milagrosamente, ao famigerado campo. Antes deles um outro casal havia
tentado tal façanha. Capturados logo após a fuga, o homem foi
executado sumariamente, a mulher foi encontrada morta, possivelmente suicídio,
na cela solitária a que foi confinada.
Jerzy e Cyla tentaram mesmo assim. Ele sabia que para Cyla era a única
alternativa de sair com vida de lá. 1944 foi o ano em que a loucura
ensandecida dos nazistas atingiu o ápice. Para Cyla era tudo ou nada.
A última e única chance. Jerzy não apenas pressentia
isso, ele presenciava. E estava apaixonado.
Auschwitz é um marco na história da humanidade. Um triste
marco. Mortífero, macabro, sinistro. Mas exatamente por este motivo
é preciso fazer de Auschwitz algo inesquecível. É imprescindível
lembrar, seja quando o vizinho faz piadas de mau gosto e racistas, seja quando
alguém é discriminado pela cor, pela crença ou seja
quando um ou outro coloca em questão a veracidade sobre os crimes
deste passado tenebroso. Ou ao se ler uma notícia na página
policial do jornal como, por exemplo, sobre jovens queimando mendigos que
dormem nas ruas e bandos delinquentes que agridem homossexuais até
à morte.
Tudo isso tem algo em comum com Auschwitz, porque são comportamentos
baseados na intolerância, na arrogância, na pseudo-superioridade
racial, na violência cega. Nessas horas é preciso ter não
apenas consciência, mas principalmente coragem. Calar diante de tais
coisas é, em determinado aspecto, compactuar com elas. É preciso
sim ser radical nestes momentos. Deixar nenhuma margem de dúvidas.
Fazer isso é respeitar as milhões de
vítimas como Jerzy, Cyla e, principalmente, os milhões de mortos.
Por fim, para quem conheceu pessoalmente não apenas Auschwitz mas outros campos, não apenas Jerzy mas outras vítimas, não apenas esta mas outras histórias, só posso pedir a todos que chegaram até esta linha, que leiam o resto e que divulguem, repassem, reproduzam, copiem, recontem tudo que aqui ler. Essa é a mais segura forma de impedir que algo desta natureza ocorra outra vez.
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Veja nosso encontro com Jerzy Bielecki
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