Terça 18/01/2000
Por Antonio Bulhões
Todos os Direitos Abknet, reprodução
total ou parcial somente com permissão.
Helmut Kohl cede às pressões
e renuncia presidência de honra do Partido
.
 |
A foto ao lado é
inédita. É a última que FHC fez com o ex-chanceler
Helmut Kohl. Foi feita na última visita do presidente brasileiro
a Alemanha, em abril do último ano. Os dois se encontraram na residência
oficial de hóspedes da Alemanha em Bonn e, na despedida, a ABKnet
fez sozinha o flagrante.
Talvez seja também a derradeira de todas
do nosso presidente com o "chanceler da reunificação
alemã": Helmut Kohl, envolvido no maior escândalo político
e de corrupção da história
do país, foi abandonado hoje por seu partido, a CDU (União
Democrata-Cristã), cuja executiva reunida à tarde, resolveu
por consenso exigir que ele se afaste do cargo de presidente de honra,
enquanto duram as investigações sobre
o caso. Kohl foi além disso e renunciou. Numa declaração
curta ele disse continuar seguindo os principios da democracia-cristã
como tem feito há 50 anos, lamentou mas reafirmou seu propósito
de não revelar os contribuidores financeiros de sua conta secreta,
descoberta no bojo do escândalo que tem abalado os pilares da república
germânica. |
Kohl
e FHC (foto:ABKnet)
Helmut Kohl parece ter caído num ciclo infernal. Revelar os financiadores
pode significar um processo, se ficar constatado que o dinheiro é
oriundo de sonegação fiscal ou o favorecimento de
quem doou. Continuar silenciando vai trazer consequências também
dramáticas para ele. A prova é sua renúncia quase
compulsória hoje. Como teima em calar provoca ainda mais especulações.
Contas secretas até em Liechtenstein
Suspeita-se que empresas, como a francesa Elf Aquaine, estariam entre
os doadores. Elas teriam doado quantias para conseguir facilidades e favores
oficiais nas aquisições de indústrias
da ex-Alemanha Oriental.
As descobertas de contas secretas se multiplicam. Até mesmo
as centrais da CDU nas provincias manipulavam dinheiro de forma ilegal.
Na última sexta-feira veio a público que a CDU do estado
de Hessen possuia contas em Liechtenstein por onde
passou o equivalente a, no mínimo, 30 milhões
de reais, como foi constatado até o momento.
O escândalo de contas clandestinas dos políticos, ainda
está para atingir o ápice. O comerciante de armas alemão
Karlheinz Schreiber, que se encontra com prisão decretada na Alemanha
e pode ser extraditado do Canadá, é um dos pivôs de
tudo.
Schreiber atuava como lobista para empresas
alemães. Há muito que ele afirma em entrevistas que
se fosse processado iria abrir o jogo, abalando a reputação
de muitos políticos reconhecidos do país. Está fazendo
mais que isso.
Hoje ele, entrevistado pelo semanário "Stern" em Quebec, soltou
mais ameaças. Disse que "é um gato
em cima de uma caixa cheia de ratos. Ele escolhe os ratos que vai comer".
Resta esperar o gato ter fome. |