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.4 de Novembro  1999 
Por Antonio Bulhoes - Todos os direitos Abknet.
Este artigo, entre outros meios, foi reproduzido na íntegra pelo Observatório da Imprensa de 20/11/99 e pelo maior jornal do Centro-Oeste brasileiro, "O Popular", estando também  referenciado na "Deutsche Welle".
Esta tem sido uma das mais lidas e pesquisadas páginas sobre neonazismo da internet brasileira.

Neonazismo cresce com nova tecnologia
..

O crescimento da oferta de extrema-direita em geral e neonazista em particular na internet tem sido global e alarmante nos últimos três anos. Aproveitando-se da dita "tolerância legal" de alguns países, como os EUA e Canadá, os diversos grupos e orga- nizações radicais de direita utilizam e tiram proveito dos mais avançados recursos técnicos que a rede oferece para atrair, informar e mobilizar novos e velhos simpatizantes, usufruindo do alcance mundial para penetrar em países onde as leis jamais permitiriam.

O renascer do ódio

Na Alemanha, onde até o livro "Minha Luta" de Adolf Hitler é proibido, o órgão responsável pela vigilância e cumprimento da constituição, o "Bundesamt fuer Verfassungsschutz", declara-se altamente preocupado com as dimensões do avanço dos extremistas cujos sites, através de requintados artificios técnicos como gráficos animados, efeitos especiais e outros truques tecnológicos conseguem reforçar suas propagandas e atrair principalmente os mais jovens. A prática de e-commerce com produtos nazistas é feita em massa, tornando-se um negócio promissor.  Heiko Wiese, pertencente à organiza-
ção  "Autocontrole Voluntário Multimidia", que reúne a maioria dos provedores da Alemanha, afirma que as perspectivas de êxito contra os radicais da internet são mínimas, em opinião publicada na homepage da organização. Mesmo grupos políticos de extrema-direita proibidos há pouco tempo no país como o NPD e DVU, voltaram à carga de uma forma inusitada:  Tornaram-se eles próprios provedores da internet.
Não bastassem os problemas enfrentados com o crescimento da direita radical após a reunificação das duas Alemanhas, a rede das redes 
veio para facilitar e camuflar até, o trabalho dos "marrons". 
Quase despercebido está acontecendo um verdadeiro "Renascimento"
Orgulho Branco
cultural-artístico-ideológico que inclui movimentos característicos que          Na Rede: Nationalen Aktions Front
vão desde novas teses anti-sionistas até ritmos musicais como o "Nazi-Techno".  Grupos "cult" como a "Gestapo Band" ou "Arisches Blut" (Sangue ariano), com canções altamente racistas e xenófobas, estão presentes e logicamente podem ser ouvidos online assim como copiados e distribuídos em CD ou formato MP3.

High Tech ao dispor da violência 

Quem acessa a homepage do "Nationalen Aktions Front" é recebido com o texto: "Viva o nosso movimento! Viva o povo alemão" gritado por ninguém menos que o próprio Adolf Hitler, no original.
Transmissões de rádio com conteúdo nazista, video-clips e áreas para chat, tudo na mais perfeita qualidade digital está ao dispor. Livros (digitais ou no papel mesmo) e objetos podem ser encomen- dados sem burocracia. O Comércio virtual fascista é quase impossivel de ser controlado.
Ahmed Rami
Radicais de países onde a atuação virtual é dificultada encontram abrigo onde as dificuldades são menores. O site "Radio Islam", localizado nos EUA e profundamente anti-sionista, é  mundialmente talvez o maior acolhedor de revisionistas, nazistas, neo- nazistas e extremistas de todas as tendências do mundo. Lá encontra-se também a 
maior lista de links radicais do planeta. Intitulada "The most important addresses", a lista contém, entre outros, links para páginas de brasileiros. Comentário em inglês para uma homepage brasileira : "Um fino website do revisionismo, em português".
Financiada pelo marroquino Ahmed Rami, que vive na Suécia, esta homepage é o maior bastião de ódio racista do planeta e é apresentada em doze línguas diferentes, incluindo o português. Rami conseguiu até hoje viver na Suécia sem enfrentar processos.
Onde quer que seja a URL, o assunto sempre é o mesmo: Xenofobia, ódio racial, negação dos conceitos democráticos, negação dos crimes nazistas (revisionismo), incitação à violência, discriminação e apoio à  perseguição de minorias, anti-sionismo paranóico, etc.
Grupos violentíssimos e ultra-radicais como o "White Pride World Wide" e Ku Klux Klan com suas diversas facções podem ser localizados pelos mais simples buscadores da rede. Há ainda as homepages de homenagens e tributos aos chefes nazistas, como o "Memorial Rudolf Hess".

Brasileiros também contribuem

O trabalho intelectual está representado pelos principais ideólogos, historiadores, políticos e até jornalistas especializados. Ernst Zuendel, David Irving, David Duke, Bradley Smith são apenas alguns dos principais gurus ao dispor dos seguidores. Todos eles com serviço de E-mail para os interessados.
Dois brasileiros estão entre as referências do revisionismo em escala mundial: Sergio Oliveira, ex-mili-
tar e autor de livros revisionistas que encontram-se traduzidos em diversas línguas e Siegfried Ellwanger que também assina como S E Castan, igualmente traduzido em inglês e alemão e ao mesmo tempo proprietário da Revisão Editora em Porto Alegre. Os dois possuem textos "hospedados" no site "Radio Islam".

É surpreendente a desenvoltura que em poucos anos foi desenvolvida pelos radicais com a nova tecnologia. As homepages se situam na fina flor High Tech.
Uma característica que também dá na vista é o perfeito sistema de Links abrangendo quase que todos os sites importantes numa interligação internacional de fazer inveja a qualquer multinacional.
A maioria oferece a alternativa de várias línguas a escolher. Frequentemente escritores e poetas conhecidos e até mesmo passagens bíblicas recebem citações. É o caso do site brasileiro "Freiheit" (liberdade, em alemão) com uma citação biblica no logotipo. As referências vão de Kipling a Sérgio Buarque de Holanda, passando por Nietzsche e Gilberto Freyre, numa tentaiva de envolvimento de autoridades intelectuais de forma involuntária em assuntos nazistas.

Até quando?

A falta de leis claras e definidas para a internet não pode ser sozinha a causa para o maior avanço neonazista dos últimos cinquenta anos. Na surdina do mundo digital, cresceram os tentáculos que haviam sido podados nos último decênios. Resta saber até que ponto o limite será suportável. Radicais na Alemanha já utilizam no mundo real as vantagens do virtual: As manifestações neonazistas, mesmo as proibidas, são inteiramente programadas e organizadas na internet. É muito mais barato e seguro.
Goebbels nunca sonhou que a técnica fosse tornar tão fácil propagar suas idéias.
Segunda última, 1 de novembro, um jovem de dezesseis anos numa cidade do interior na Alemanha arrombou o armário onde estavam as armas colecionadas por seu pai, carregou-as, postou-se na janela do primeiro andar da residência e iniciou o fuzilamento de passantes. Doze pessoas foram baleadas, quatro morreram, oito foram feridas, algumas encontram-se ainda em estado grave. Após isso o garoto suicidou-se com um tiro na boca. A policia tinha um enigma diante de si: Sem precedentes criminais, sem algo que levantasse suspeitas na escola, entre os vizinhos ou amigos e com provas de que ele nao era componente de grupos extremistas, o rapazote deixava um rastro de sangue e muitas perguntas. Ontem, quarta-feira, ao vasculhar o quarto do atirador à procura de motivos para o crime, os policiais  encontraram numeroso material neonazista, incluindo uma bandeira com suástica, um poster de Hitler e diversos CDs com músicas de conjuntos musicais extremistas.
Pode ser engano mas poucos caminhos levam à resposta de como se chegar a material assim. Um deles com absoluta certeza passa por alguma homepage na Web.





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