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de Novembro 1999
Por Antonio Bulhoes - Todos os direitos Abknet.
Este artigo, entre outros meios, foi reproduzido
na íntegra pelo Observatório da Imprensa de 20/11/99 e pelo
maior jornal do Centro-Oeste brasileiro, "O
Popular", estando também referenciado na "Deutsche Welle".
Esta tem sido uma das mais lidas e pesquisadas
páginas sobre neonazismo da internet brasileira.
Neonazismo cresce com nova tecnologia
..
O crescimento da oferta de extrema-direita em geral
e neonazista em particular na internet tem sido global e alarmante nos
últimos três anos. Aproveitando-se da dita "tolerância
legal" de alguns países, como os EUA e Canadá, os diversos
grupos e orga- nizações radicais de direita utilizam e tiram
proveito dos mais avançados recursos técnicos que a rede
oferece para atrair, informar e mobilizar novos e velhos simpatizantes,
usufruindo do alcance mundial para penetrar em países onde as leis
jamais permitiriam.
O renascer do ódio
Na Alemanha, onde até o livro "Minha Luta"
de Adolf Hitler é proibido, o órgão responsável
pela vigilância e cumprimento da constituição, o "Bundesamt
fuer Verfassungsschutz", declara-se altamente preocupado com as dimensões
do avanço dos extremistas cujos sites, através de requintados
artificios técnicos como gráficos animados, efeitos especiais
e outros truques tecnológicos conseguem reforçar suas propagandas
e atrair principalmente os mais jovens. A prática de e-commerce
com produtos nazistas é feita em massa, tornando-se um negócio
promissor. Heiko Wiese, pertencente à organiza-
ção
"Autocontrole Voluntário Multimidia", que reúne a maioria
dos provedores da Alemanha, afirma que as perspectivas de êxito contra
os radicais da internet são mínimas, em opinião publicada
na homepage da organização. Mesmo grupos políticos
de extrema-direita proibidos há pouco tempo no país como
o NPD e DVU, voltaram à carga de uma forma inusitada: Tornaram-se
eles próprios provedores da internet.
Não bastassem os problemas enfrentados
com o crescimento da direita radical após a reunificação
das duas Alemanhas, a rede das redes
veio para facilitar e camuflar até, o trabalho dos "marrons".
Quase despercebido está acontecendo um verdadeiro "Renascimento" |
|
cultural-artístico-ideológico que inclui movimentos característicos
que Na
Rede: Nationalen Aktions Front
vão desde novas teses anti-sionistas
até ritmos musicais como o "Nazi-Techno". Grupos "cult" como
a "Gestapo Band" ou "Arisches Blut" (Sangue ariano), com canções
altamente racistas e xenófobas, estão presentes e logicamente
podem ser ouvidos online assim como copiados e distribuídos em CD
ou formato MP3.
High Tech ao dispor da violência
Quem acessa a homepage do "Nationalen Aktions
Front" é recebido com o texto: "Viva o nosso movimento! Viva o povo
alemão" gritado por ninguém menos que o próprio Adolf
Hitler, no original.
Transmissões de rádio com conteúdo
nazista, video-clips e áreas para chat, tudo na mais perfeita qualidade
digital está ao dispor. Livros (digitais ou no papel mesmo) e objetos
podem ser encomen- dados sem burocracia. O Comércio virtual fascista
é quase impossivel de ser controlado.
Ahmed Rami
|
Radicais de países
onde a atuação virtual é dificultada encontram abrigo
onde as dificuldades são menores. O site "Radio Islam", localizado
nos EUA e profundamente anti-sionista, é mundialmente talvez
o maior acolhedor de revisionistas, nazistas, neo- nazistas e extremistas
de todas as tendências do mundo. Lá encontra-se também
a
maior lista de links radicais do planeta. Intitulada
"The most important addresses", a lista contém, entre outros, links
para páginas de brasileiros. Comentário em inglês para
uma homepage brasileira : "Um fino website do revisionismo, em português". |
Financiada pelo marroquino Ahmed Rami, que vive na
Suécia, esta homepage é o maior bastião de ódio
racista do planeta e é apresentada em doze línguas diferentes,
incluindo o português. Rami conseguiu até hoje viver na Suécia
sem enfrentar processos.
Onde quer que seja a URL, o assunto sempre é o mesmo: Xenofobia,
ódio racial, negação dos conceitos
democráticos, negação
dos crimes nazistas (revisionismo), incitação à violência,
discriminação e apoio à perseguição
de minorias, anti-sionismo paranóico, etc.
Grupos violentíssimos e ultra-radicais
como o "White Pride World Wide" e Ku Klux Klan com suas diversas facções
podem ser localizados pelos mais simples buscadores da rede. Há
ainda as homepages de homenagens e tributos aos chefes nazistas, como o
"Memorial Rudolf Hess".
Brasileiros também contribuem
O trabalho intelectual está representado
pelos principais ideólogos, historiadores, políticos e até
jornalistas especializados. Ernst Zuendel, David Irving, David Duke, Bradley
Smith são apenas alguns dos principais gurus ao dispor dos seguidores.
Todos eles com serviço de E-mail para os interessados.
Dois brasileiros estão entre as referências
do revisionismo em escala mundial: Sergio Oliveira, ex-mili-
tar e autor de livros revisionistas que encontram-se
traduzidos em diversas línguas e Siegfried Ellwanger que também
assina como S E Castan, igualmente traduzido em inglês e alemão
e ao mesmo tempo proprietário da Revisão Editora em Porto
Alegre. Os dois possuem textos "hospedados" no site "Radio Islam".
É surpreendente a desenvoltura que em poucos
anos foi desenvolvida pelos radicais com a nova tecnologia. As homepages
se situam na fina flor High Tech.
Uma característica que também dá
na vista é o perfeito sistema de Links abrangendo quase que todos
os sites importantes numa interligação internacional de fazer
inveja a qualquer multinacional.
A maioria oferece a alternativa de várias
línguas a escolher. Frequentemente escritores e poetas conhecidos
e até mesmo passagens bíblicas recebem citações.
É o caso do site brasileiro "Freiheit" (liberdade, em alemão)
com uma citação biblica no logotipo. As referências
vão de Kipling a Sérgio Buarque de Holanda, passando por
Nietzsche e Gilberto Freyre, numa tentaiva de envolvimento de autoridades
intelectuais de forma involuntária em assuntos nazistas.
Até quando?
A falta de leis claras e definidas para a internet
não pode ser sozinha a causa para o maior avanço neonazista
dos últimos cinquenta anos. Na surdina do mundo digital, cresceram
os tentáculos que haviam sido podados nos último decênios.
Resta saber até que ponto o limite será suportável.
Radicais na Alemanha já utilizam no mundo real as vantagens do virtual:
As manifestações neonazistas, mesmo as proibidas, são
inteiramente programadas e organizadas na internet. É muito mais
barato e seguro.
Goebbels nunca sonhou que a técnica fosse
tornar tão fácil propagar suas idéias.
Segunda última, 1 de novembro, um jovem
de dezesseis anos numa cidade do interior na Alemanha arrombou o armário
onde estavam as armas colecionadas por seu pai, carregou-as, postou-se
na janela do primeiro andar da residência e iniciou o fuzilamento
de passantes. Doze pessoas foram baleadas, quatro morreram, oito foram
feridas, algumas encontram-se ainda em estado grave. Após isso o
garoto suicidou-se com um tiro na boca. A policia tinha um enigma diante
de si: Sem precedentes criminais, sem algo que levantasse suspeitas na
escola, entre os vizinhos ou amigos e com provas de que ele nao era componente
de grupos extremistas, o rapazote deixava um rastro de sangue e muitas
perguntas. Ontem, quarta-feira, ao vasculhar o quarto do atirador à
procura de motivos para o crime, os policiais encontraram numeroso
material neonazista, incluindo uma bandeira com suástica, um poster
de Hitler e diversos CDs com músicas de conjuntos musicais extremistas.
Pode ser engano mas poucos caminhos levam à resposta de como
se chegar a material assim. Um deles com absoluta certeza passa por alguma
homepage na Web.
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