.Simon Wiesenthal
(31/12/1908 - 20/09/2005)
Wiesenthal (Foto: SWC)
Simon Wiesenthal, a "consciência
do holocausto", morreu em paz, esta noite, aos 96 anos,
em sua casa em Viena, segundo nota do Centro Simon Wiesenthal,
criado por ele.
Ao fim da Segunda Guerra Mundial,
um dos maiores genocídios que a humanidade viveu
seria uma página virada na história, não
fosse Wiesenthal e suas lembranças. Ele criou um centro
de documentação sobre os crimes e participou
ativamente na procura aos criminosos. A prisão e julgamento
de nazistas como Adolf Eichmann não teria sido possivel
sem sua contribuição.
Durante o holocausto Wiesenthal foi
prisioneiro em doze campos de concentração.
Toda sua familia morreu nas mãos dos nazistas: 89 pessoas.
Em 1943, após alguns meses de fuga frustrada e novo confinamento,
o desespero o levou a uma tentativa de suicídio. No dia 5
de maio de 1945, finalmente, forças americanas aliadas o
libertaram do campo de concentração de Mauthausen
na Áustria (veja nota abaixo).
1.100 criminosos presos
e julgados, um deles capturado no Brasil
Logo após sua libertação
ele iniciou a caça aos criminosos, em conjunto com
comissões especiais criadas pelos aliados. Em 1947
criou, com outras vítimas, o centro de documentação,
passando a catalogar tudo sobre o destino de vítimas
e assassinos. O Centro Simon Wiesenthal atua mundialmente e possui
escritórios em Viena, Nova York, Los Angeles, Miami, Toronto,
Paris, Buenos Aires e Jerusalém.
Mais de 1.100 criminosos nazistas
foram presos e julgados a partir dos trabalhos de Wiesenthal
e seu centro. Cerca de 6000 casos foram investigados. Entre
os mais famosos nazistas capturados a partir de suas investigações
estão, além de Eichmann, o comandante do campo
de Treblinka, Franz Stangl, em 1967 em S. Paulo, no Brasil e
o oficial da SS Rajakowitsch, que foi adjunto de Eichmann, além
do sub-oficial da SS Karl Silberbauer, responsável pela
prisão e deportação de judeus na Holanda, entre
eles Anne Frank e sua familia. Silberbauer levava uma tranquila vida
de policial em Viena quando foi denunciado pelo Centro Wiesenthal.
"Eu não quero vingança,
quero justiça", era uma frase repetida por Wiesenthal
em entrevistas. Sua abnegação à causa
o deixa acima de críticas. Nem sempre ele contou com a
colaboração de autoridades e governos. Durante a
guerra fria seu trabalho foi muito dificultado. Wiesenthal e
seu centro também dedicaram-se à assistência
e reintegração de vítimas.
Ele havia afastado-se nos últimos
anos, debilitado e vítima de derrame, da chefia
da organização.
Visitava regularmente seu escritório
em Viena, mas a coordenação dos trabalhos
foi assumida por Efraim Zuroff, chefe do Centro Simon Wiesenthal
em Jerusalém. Zuroff iniciou seus trabalhos no centro há
25 anos e é o idealizador da campanha "Operation Last
Chance" (veja nota abaixo). Wiesenthal morreu, mas a causa continua.
Matéria do ABKnet reproduzida na íntegra
no Operation Last Chance (14/09/2005)
O artigo do site ABKNet sobre o médico
nazista Aribert Heim, procurado mundialmente
como um dos mais sádicos criminosos de guerra, foi
reproduzido na íntegra pelo site Operation Last Chance.
A operação é a tentativa de levar aos tribunais
os últimos criminosos ainda impunes. Uma das últimas
pistas de Aribert Heim leva à América do Sul,
o Brasil incluído. Leia a reprodução no
site da Operation Last Chance
e divulgue a
campanha do Centro Simon Wiesenthal.