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O segredo da Volkswagen do Brasil
Muito do que Gebauer disse à Stern não
foi novidade para os leitores do abknet. Acompanhando o caso desde
o início e adiantando-se aos fatos em semanas, há quem
mostre perplexidade ao ver nossas revelações serem confirmadas
pelos protagonistas, pela auditoria interna e pelo ministério
público alemão. Ainda há muita coisa sob o tapete
de maracutaias que cobre o quarto maior fabricante de automóveis
do mundo. Os porta-voz do Ministério Público de Braunschweig,
Klaus Ziehe, confessou esta semana que, por mais incrivel que aparente
ser, depois de mais de dois meses de investigações e depoimentos,
o caso está ainda no início. Os envolvidos ainda têm
muito a dizer. O início de tudo: Av. Atlântica, 3264 - Rio
de Janeiro Janeiro de 1996. No auge do verão carioca chega ao
Rio a comitiva de diretores e representantes dos diferentes
conselhos de empregados da Volkswagen. Era a primeira reunião
do Conselho Geral de Empresa, grêmio que reúne sindicalistas
e diretores de todo o grupo. Até aquela data, as periódicas
reuniões dos executivos eram pelo menos discretas. Diante do
mar de Copacabana, hospedados no hotel Othon Palace, número
3264 da Avenida Atlântica, vista para o mar, a discrição
cedeu lugar à gandaia, durante uma semana. Auxiliados pelos
colegas brasileiros, iniciou-se na praia e nas discotecas das imediações
o recrutamento de mulheres para os senhores acima de qualquer suspeita.
Funcionários do hotel, solícitos e subservientes, presenciavam
incrédulos, talvez temerosos, a ida e vinda das garotas, juntas
com os "importantes gringos". Começou assim, no Brasil, o sistema de viagens de
prazer que hoje faz parte dos protocolos policiais na Alemanha. A
partir dali não foi mais possivel imaginar uma reunião
sem a participação de prostitutas. Quase dez anos de
orgias e, para os menos potentosos, havia até mesmo distribuição
de viagra, segundo o próprio Gebauer. "- No Brasil é muito
fácil chegar a mulheres desse tipo. Tanto faz se em uma discoteca
ou na praia", diz ele abertamente, sem medir a dimensão de suas
palavras. "Depois disso, tanto fazia onde estivessemos, a primeira
pergunta era: Gebauer ! Cadê as mulheres?", confessa. VW do Brasil organizava na América do Sul A promiscuidade dos executivos adquiriu sistema. Na Alemanha,
onde tudo não é tão fácil como no Brasil,
foi necessário criar infra-estrutura própria. Por exemplo,
alugar discretos imóveis com garagem subterrânea e elevador
de frente para a porta do apartamento, de forma que os visitantes
corressem o mínimo de riscos de serem vistos. As mulheres eram
recrutadas em clubes noturnos locais. Para os mais exigentes, elas
chegavam de avião, importadas do Brasil ou brasileiras que ganham
a vida em Portugal. Fora da Alemanha, o esquema montado chegou a contratar um
grupo de prostitutas que seguia em avião de carreira
as escalas dos executivos, que viajavam no jato lotado da empresa,
pela Índia. Em cada cidade os diferentes grupos, masculino e feminino,
juntavam-se para as noites de sussurros impublicáveis. E no Brasil ? Não somente no Brasil, mas em toda a
América do Sul, os responsáveis pela organização
de orgias eram os colegas de Gebauer na filial brasileira. "Afinal
de contas, como poderia eu organizar tudo isso sozinho ?", ressalta,
para complementar: " Tudo que acontecia na América do Sul com
relação a isso era organizado pelo diretor de Recursos
Humanos de lá". Este é o segredo do silêncio
da montadora brasileira. Um silêncio que não é
dos inocentes. O Elefante Branco e um romance milionário O Elefante Branco é um prostíbulo lisboeta
lotado de prostitutas brasileiras. Aberto em 1976, somente a partir
de 1986, quando, com nova direção, passou a investir
na importação de mulheres do Brasil, o local virou ponto
obrigatório para executivos e políticos europeus. O bordel
tem fama internacional. Foi de lá que os diretores envolvidos
no escândalo da Volkswagen recrutaram algumas das mulheres para
suas noites de prazer. Elas eram também enviadas onde estivessem:
Paris, Berlim, Bruxelas. A situação de mulheres brasileiras
em Portugal é mais que conhecida. Atraídas com promessas
de muito dinheiro, ao fim das temporadas elas retornam ao Brasil pobres
como antes e não raro com muitos problemas. Isso quando conseguem
retornar à terra natal. Uma delas, Josélia R., era a preferida de Peter Hartz,
o ex-diretor de Recursos Humanos e mais famoso executivo do
país. Gebauer confirma que Klaus Volkert, o
sindicalista com status de executivo, um dos principais envolvidos no escândalo,
conheceu Adryanna
Barros em
1998. Volkert confessou, em seis horas de depoimento aos procuradores
que o indiciaram, muitos pormenores de suas atividades
"extra-profissionais" a custo da empresa. Além de presentes e viagens
à sua amante, a revista Stern,
diante dos custos, levantou mais uma suspeita sobre os dois: Provavelmente
foi embolsado muito dinheiro da Volkswagen diretamente, por ele e
Adryanna, especula o periódico. Gebauer alega não poder
dizer, mas concorda com a exorbitância gasta em sete anos de romance.
Peter Hartz, mais famoso executivo alemão
e sua queda por brasileiras Página principal com notícias atuais |
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