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Escândalo da Volks: Vazam informações da Justiça (23/10/2005) Audi e Sindicato Metalúrgico alemão oficialmente envolvidos O semanário Focus que vai às bancas na Alemanha traz novas revelações dos depoimentos e investigações do Ministério Público de Braunschweig, que apura o escândalo da Volks. Segundo o semanário o esquema de privilégios e orgias funciona há quinze anos. Klaus-Joachim Gebauer era o designado para organizar as orgias e favorecimentos. O próprio Gebauer, que foi demitido da empresa no início do escândalo, confirma esta versão. Ele afirma que agia sob ordens de seus superiores e trava uma briga trabalhista com a montadora. O esquema tinha como alvo formar uma rede comprometida com a política da empresa. Segundo o artigo do Focus, o responsável pela formação da rede no meio sindical era Klaus Volkert, sindicalista ex-chefe do conselho da empresa, que atuava também no conselho da filial no Brasil. O objetivo era não apenas corromper, mas também, com a participação em orgias, fazer sindicalistas e políticos reféns e dependentes, ou seja, chantageáveis. Dois políticos, ex-sindicalistas, já estão indiciados no escândalo e tiveram na última semana suas imunidades parlamentares suspensas, para que possam ser investigados pelas justça. São eles o deputado federal Hans-Jürgen Uhl e o estadual Günther Lenz, ambos do SPD. O Focus revela também passagens dos documentos da justiça, onde é afirmado que a intenção de Volkert era envolver tantas pessoas quanto possivel no esquema, para com isso assegurar a "própria cabeça" se os procedimentos viessem um dia a público. Pelo visto o tiro saiu pela culatra. Escândalo já atinge Audi e Sindicato dos Metalúrgicos da Alemanha O chefe do comitê de fábrica da Audi AG também foi envolvido no caso. Xaver Meier, agora indiciado pelo Ministério Público, tem sua renúncia anunciada como certa para esta semana, segundo ainda o Focus. Ele também teria participado de orgias pagas pela Volks. Meier negou no início o envolvimento mas, ao que tudo indica, seguindo a rotina de outros envolvidos, também cairá. Gebauer declarou que Meier é uma vítima de Volkert. Ao patrocinar orgias para Meier, Volkert esperava que o sindicalista fizesse o seu jogo, mas não foi correspondido, disse Gebauer. Apesar disso, Meier vai pagar caro pelos momentos de prazer. A Audi faz parte do grupo da Volks. O Sindicato dos Metalúrgicos da Alemanha (IG Metall) confirmou que um alto funcionário do sindicato foi afastado de suas funções por envolvimento no escândalo. O caso foi descoberto após uma investigação interna do departamento jurídico da entidade, orientados pelo Ministério Público, que encontrou pistas do envolvimento nas investigações. O Der Spiegel informa que reservas financeiras do sindicato poderiam ter sido usadas em aplicações irregulares com uma das empresas criadas pelos envolvidos no escândalo e cita Klaus Volkert e Gebauer. O nome do sindicalista afastado não foi ainda revelado. Governador da Baixa-Saxônia fará declaração de governo. Ele quer limpeza total O governador da Baixa-Saxônia, Christian Wulff, tem sofrido pressão da oposição para fazer valer com mais rigor a condição de maior acionista da Volkswagen no esclarecimento do escândalo. O objetivo é tornar clara as relações de força no comando da companhia, principalmente com relação a Ferdinand Piech, membro do conselho fiscal e ex-presidente da Volks. O governador apontou para as investigações do Ministério Público e prometeu uma "declaração de governo" tão logo as investigações permitam. O estado é o maior acionista da Volkswagen. Wulff defende a "total limpeza" da empresa da estrutura pré-escândalo, para que a Volks possa enfim preocupar-se com sua finalidade principal, produzir e vender automóveis. Filial brasileira na berlinda A confirmação do Ministério Público de Braunschweig, de que fará interrogatórios e investigações para apurar o envolvimento da filial brasileira da Volks no escândalo, bem como a bombástica entrevista do ex-executivo Klaus-Joachim Gebauer ao jornal Die Welt, pôs o Brasil na berlinda do caso. O presidente da Volks brasileira, Hans-Christian Maergner, havia negado uma semana antes, em entrevista à revista Isto É Dinheiro, que a filial fosse atingida pelo escândalo. As novas revelações sobre a política de "formar redes comprometidas" com os indiciados reforça a tese de que o caso vai sacudir também o outro lado do Atlântico. Com o dinheiro em jogo e a revelações, não será surpresa se o Ministério Público Brasileiro e, não por último, a Receita Federal, logo estejam atarefados com o escândalo da Volks. Peter Hartz, mais famoso executivo alemão
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