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. Escândalo da Volks: Jóias, casa de praia e mais orgias (26/09/2005) A empresa
de consultoria KPMG apresentou ao Conselho Executivo da
Volkswagen, na última sexta-feira, um balanço
parcial da auditoria independente que vem realizando na empresa
sobre o escândalo que há meses abala a montadora.
A apresentação não foi feita de forma
escrita para evitar que fatos relevantes e ainda sigilosos cheguem
à imprensa. Até agora foram analisados 750
Gigabyte de dados digitais e um sem número de documentos.
A KPMG atua de forma independente da auditoria interna da própria
Volks, mas a troca de informações e apoio mútuo
com os investigadores da empresa têm sido positivo para os
resultados. Os auditores estimam
que avançaram a 85% dos trabalhos de investigação
e a previsão do relatório final é para novembro
próximo.
Ministério Público interroga Klaus Volkert, que falou pelos cotovelos Klaus Volkert, o ex-representante dos trabalhadores no Conselho de Empresa da Volks, uma peça chave no rumoroso escândalo, havia adotado a lei do silêncio desde que renunciou ao seu posto na empresa, onde representava os colegas. Como réu ele assumia seu direito ao silêncio e sobre o assunto só conversava com sua esposa, disse certa ocasião seu advogado à imprensa. Em seu depoimento à promotoria pública de Brauschweig, contudo, Volkert resolveu falar e falou muito. Falou pelos cotovelos. Foram seis horas de interrogatório, tão rico em detalhes, que o porta-voz da procuradoria, Klaus Ziehe, elogiou a disposição de confissão do acusado, afirmando que ele foi mais cooperativo do que se esperava. Além de responder sobre seu envolvimento, Volkert fez novas revelações que irão ajudar nas apurações dos promotores, disse Ziehe à imprensa local, sem revelar pormenores. Volkert tentou justificar a jorrada de dinheiro ilegal subtraído da Volks em seu favorecimento como uma compensação "por fora" ao seu salário. Segundo ele, seu trabalho equiparava-se ao de um executivo da empresa mas seu salário não condizia com suas tarefas. Daí o acerto com o diretor de recursos humanos, Peter Hartz, que ordenou as facilidades. Volkert considerou seu salário mensal, 30.000,00 euros, abaixo do que realmente mereceria. Amante confirmada e Peter Hartz complicado Pela primeira vez Klaus Volkert confessou oficialmente, perante os promotores, que a brasileira Adriana B., revelada pela abknet como sendo a apresentadora de tevê Adryanna Barros, era sua amante. Ele confirmou que a conheceu em um hotel no Brasil e que Peter Hartz conhecia os detalhes do relacionamento. Volkert, surpreendentemente, admitiu a natureza privada das caras viagens a lugares exóticos, tudo a custo da Volkwagen e sem objetivos comerciais para a empresa. Klaus-Joachim Gebauer, também envolvido no escândalo e em litígio trabalhista com a empresa, disse à imprensa recentemente que, além do pagamento de vôos e hotéis, Klaus Volkert recebia sempre de suas mãos, em envelopes, quantias que variavam de 10 a 15 mil euros em dinheiro, a cada viagem. Além disso, fora o apartamento de encontros na cidade de Braunschweig, veio à luz do dia um imóvel de veraneio em uma praia do mar Báltico, onde Volkert mantinha igualmente um "ninho amoroso", segundo Gebauer. Volkert também falou aos promotores sobre o contrato fantasma que rendia 23.008,00 euros trimestrais à apresentadora Adryanna Barros. De acordo com o depoimento, o contrato foi feito de forma verbal por ele, Volkert, e Peter Hartz, não existindo acerto por escrito. O dinheiro era realmente depositado na conta da apresentadora na agência do banco Sparkasse, em Gifthorn, como noticiamos. O fato contradiz afirmações da própria apresentadora, que havia declarado ter fechado contrato com a empresa, após ter sido apresentada pelos executivos à agência de propaganda da Volkswagen. Ao se manifestar sobre o assunto, Gebauer foi mais além e disse que possuía até mesmo uma procuração da apresentadora para movimentação da conta bancária. O depoimento de Klaus Volkert complicou a situação do ex-diretor de Recursos Humanos, Peter Hartz. Segundo o semanário Der Spiegel, Hartz já está na mira dos promotores. O Ministério Público o interrogará nos próximos dias, mas ainda na condição de testemunha. Ele deverá ser confrontado com as acusações. O depoimento de Volkert fortalece as constantes notas de Gebauer e seu advogado à imprensa, responsabilizando Peter Hartz e outros superiores da Volks como coadjuvantes no escândalo. Gebauer: Orgias e compras na H. Stern O Ministério Público também examinou os extratos bancários pessoais de Gebauer. Os extratos confirmam as transferências dos montantes gastos pela empresa: Gebauer cobria as despesas através de uma conta pessoal aberta por ele por orientação de seus superiores para este objetivo. Os pagamentos eram feitos em dinheiro vivo ou por cartões de crédito. Após a apresentação de contas e recibos o dinheiro era transferido para sua conta pela montadora. O ex-executivo confirmou a promoção de orgias sexuais dos executivos, na verdade não apenas no Brasil e Índia, mas em diversos países, como vinha sendo insistentemente divulgado pela imprensa. Nessas viagens eram contratados os serviços de prostitutas de luxo, entre elas, misses. Em uma dessas orgias o próprio Volkert, segundo artigo do Bild Zeitung, teria feito pessoalmente a "distribuição" dos pares amorosos. O semanário Focus noticiou que apenas uma visita dos executivos ao clube noturno K5, um famoso bordel de Praga, custou 43 mil euros aos cofres da montadora. Como se não bastasse, a Volkswagen pagava até mesmo jóias e presentes para amantes e prostitutas dos executivos. O periódico alemão Stern localizou em Praga uma prostituta checa que contou detalhes de seu relacionamento com Klaus Volkert. De acordo com a profissional do sexo, no primeiro semestre de 2004 ela e mais quatro colegas foram apresentadas ao executivo que, ainda segundo ela, mostrou-se ser exigente em suas preferências. Após ter sido a "escolhida", as demais pretendentes foram dispensadas. A mulher teve ainda direito a compras na "Pařížská", a avenida Parisiense, rua mais cara de Praga. Por fim, fora os honorários, recebeu cem euros de gorjeta de Volkert, disse ela. Mas Volkert também era atencioso com a "prata-de-casa". Segundo os extratos bancários de Gebauer, constam compras feitas por Volkert em uma loja da H. Stern no Brasil. Foram cerca de 20 mil euros em jóias que, de acordo com Gebauer, uma parte Volkert presenteou sua amante Adryanna e com a outra parte agradou sua esposa. Isso reforça a revelação de nosso artigo de 29 de julho passado. Um fonte não revelada pela revista Focus assegurou que a Volkswagen vai exigir judicialmente dos implicados o ressarcimento dos gastos. Está só esperando a conculsão das diligências e investigações. Volkert, que recebeu o perdão da esposa, provavelmente não foi compreendido pelo ex-patrão. Até fins de novembro com certeza novos e picantes detalhes irão surgir sobre o caso. Porsche confirma intenção de assumir maioria na Volkswagen Combalida entre escândalo, queda nas vendas e perda de imagem, a gigante Volkswagen, maior montadora da Alemanha, está para ter como sócia majoritária a nanica fabricante Porsche, a menor entre todas no país, confirmando as previsões e análises de especialistas sobre o destino da montadora. Ontem a Porsche atestou em nota oficial em seu site a intenção de assumir 20% das ações da empresa. Uma lei do Estado da Baixa-Saxônia, atualmente maior acionista da VW com 18,5% das ações, não permite sócios com capital votante superior a 20%. Com isso a Porsche torna-se-ia o maior acionista. Desde a divulgação do chamado "Escândalo da Volks" especula-se até mesmo sobre a possibilidade de uma oferta hostil. A decisão da Porsche é estratégica, pois as duas empresas possuem projetos conjuntos de cooperação técnica e produção, possivelmente ameaçados, no caso de empresas concorrentes anteciparem-se com o mesmo objetivo. A notícia, entretanto, gerou também problemas. A movimentação nas ações da Volkswagen nas últimas semanas e a demora da Porsche para anunciar a iniciativa chamou a atenção das autoridades de controle do mercado acionário na Alemanha. O Spiegel Online informa hoje que pode ter havido manipulação através de informações privilegiadas. Há suspeitas de que a Porsche desrespeitou os prazos determinados por lei para tornar pública a negociação. Veja ainda: Gebauer: Volkswagen
do Brasil e ministro Luiz Marinho envolvidos Peter Hartz, mais
famoso executivo alemão e sua queda por brasileiras Página principal com notícias
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