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Relatório da auditoria independente da Volks (11/11/2005)
Sumário da auditoria confirma principais suspeitos: Prejuízo de 5 milhões de euros

A empresa de consultoria KPMG apresentou hoje o relatório da auditoria ao conselho executivo da Volkswagen. A investigação foi efetuada por determinação da montadora e envolveu 50 especialistas da KPMG, que examinaram cerca de 25.500 documentos e 400 mil arquivos digitais, com um total de 134 Gigabytes. O período que foi alvo da investigação foi de 2001 até o corrente ano de 2005.

A consultoria acentua no documento, que o total e real esclarecimento do escândalo exige acesso a informações e outros documentos não disponíveis na alçada dos auditores, bem como instrumentos somente possiveis no raio de ação da justiça, que investiga o caso com maior profundidade e recursos mais abrangentes.

Os objetos de investigação foram as empresas ilegais criadas para negócios em Angola, Índia e País Checo, o uso indevido de recursos financeiros de fundos de pensão de trabalhadores da montadora e gastos com viagens e atividades não condizentes com o espectro de interesses da empresa. Há ainda somas cuja especificação e destino, somente documentos e dados de posse dos envolvidos, no caso Gebauer, poderão ser elucidados. Gebauer não foi ouvido ou interrogado pela auditoria.

Executivos canalizaram dinheiro ilegalmente para empresas criadas por eles


Segundo o documento da KPMG, Klaus-Joachim Gebauer, Helmuth Schuster e Klaus Volkert estão diretamente ligados a empresas criadas para intermediar ou gerir projetos da Volkswagen de forma indevida. Assim é o caso de uma montadora em Angola, que deveria importar partes de veículos da Alemanha e Brasil, através de Portugal, e produzir os automóveis no país africano. Klaus-Joachim Gebauer e Helmuth Schuster estariam diretamente envolvidos na sociedade da empresa. Outros sócios, não pertencentes aos quadros da Volkswagen, não foram revelados, para não influir nas diligências do Ministério Público.

Outra empresa, a F-Bel, no país Checo, teria incumbência de participar de um projeto para um centro automotivo, nos moldes de um Schopping Center, em Praga. A empresa teria a participação de Klaus Volkert,  Gebauer e Schuster. Também aqui o nome de pessoas alheias à Volkswagen foram mantidos em sigilo.

Para a execução do projeto de uma montadora na Índia, que teria importadas peças da VW do Brasil para montagem no estado indiano de Andhra Pradesh, foi criada da mesma forma uma empresa com a participação de Gebauer e Schuster. Somas da Volks também foram desviadas pelos acusados no projeto.

Fundos de pensão e ajuda a vítimas do Tsunami não foram atingidos

A tentativa dos envolvidos de interceder nos fundos de pensão de trabalhadores da Volks, em forma de investimentos nas empresas criadas por eles, fracassou, segundo a auditoria. Também não há indícios de que tenha havido malversação de contribuições filantrópicas destinadas pela empresa e funcionários às vítimas do Tsunami.

Relatório compromete oficialmente Adriana Barros: pagamentos chegam a 635* mil de euros

!* Valor corrigido posteriormente à publicação, a partir de correção da formulação do sumário do relatório)

A apresentadora Adriana Barros foi o único nome não pertencente à empresa, citado no documento. Isso evidencia a apresentadora como um dos pivôs do escândalo. Ela negava qualquer envolvimento no esquema e a montadora silenciava apontando para o andamento da auditoria.
Os auditores incriminam dois dos principais envolvidos como cúmplices no caso da apresentadora: Seu ex-amante Klaus Volkert e o ex-presidente de Recursos Humanos da montadora, Peter Hartz.
Segundo a auditoria, não existiu qualquer tipo de contrato assinado entre a empresa e a apresentadora. Tudo ocorreu de forma verbal em acertos entre ela e o ex-amante Klaus Volkert. Adriana assegurava que possuía contratos assinados com a matriz.
Ao longo do período analisado pela auditoria, a apresentadora recebeu pagamentos da matriz em um montante de no mínimo 635 mil euros. Deste total, para cerca de 399 mil euros, a apresentadora apresentou faturas e os pagamentos receberam autorização do ex-presidente de recursos humanos da Volks, Peter Hartz. 
A revelação agrava a participação de Hartz no escândalo.
Para os 635 mil euros recebidos por Adriana Barros a auditoria revela não existir motivos ou prestação de qualquer serviço que justificassem os pagamentos, segundo ainda o documento.
Sobre um projeto filantrópico com crianças de rua do Brasil a auditoria não pode constatar irregularidades.

Auditoria reconhece limites e acentua trabalho do Ministério Público. Prejuízo estimado: 5 milhões de euros

Em seu texto final, a auditoria ressalta que os nomes citados no relatório não formam a totalidade dos envolvidos nas irregularidades, mas os de cuja participação direta foram constatados de forma relevante nos documentos analisados. Além disso, gastos diversos e outros beneficiados com privilégios somente poderão ser investigados pelo processo em curso no Ministério Público responsável, no caso o de Braunschweig. Segundo as somas levantadas pela KPMG, a Volkswagen teve um prejuízo apurado de 5 milhões de euros. Klaus-Joachim Gebauer e seu advogado estimam em 7 milhões de euros.

Prostituta checa conta na TV noites com executivos

Leia o Escândalo da Volks desde o início

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