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A igreja neonazista e seu "Papa"
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"Reverendo" Matt Hale (foto), tem 30 anos e vive em Illinois,
nos EUA, de onde lidera a World Church of the Creator, uma seita religiosa
que prega a supremacia da raça branca nórdica. Quarto filho
de uma familia de classe média baixa, seu pai era policial, ele
diz ser racista desde os doze anos de idade, quando leu o livro "Ascensão
e queda do terceiro Reich" e, mais tarde, "Mein Kampf" (Minha luta)
de Adolf Hitler. Após militar na juventude em diversos grupos
de extrema-direita, em 1992, auto-proclamado líder nacional do Partido
Nacional-Socialista da Raça Branca da América (National
Socialist White American's Party), ele iniciou também seu envolvimento
na seita então chamada "Church of the Creator" fundada em 1973 por
Ben Klassen juntamente com a publicação de um tomo de 511
páginas intitulado "Nature's Eternal Religion". O livro, de teor
extremamente racista, rejeita o que chama "valores judeu-democrático-marxistas
vingentes" pregando sua suplantação por novos e básicos
valores fundamentados na supremacia da raça". A herança racial
portanto, transcede a crença. O cristianismo, por exemplo, é
considerado uma "fé suicida". |
Por ironia Ben Klassen, um norte-americano da Flórida, filho de
imigrantes alemães, suicidou-se em 1993.
Os "inimigos naturais" são os judeus e as "raças sujas"
Em 1995 Matt Hale passou a se dedicar exclusivamente à "Church
of the Creator", abandonando suas outras atividades de militância
e, aproveitando o vácuo deixado com a morte do líder Ben
Klassen, tornou-se em 1996 seu " Pontífice Máximo ". Na mesma
cerimônia a igreja foi "rebatizada", passando a chamar-se de "World
Church of the Creator".
Considerando a raça branca como a "maior criação
da natureza, responsável por todos os valores da cultura e civilização",
a "WCOTC" e seus seguidores não acreditam em Deus, céu, inferno
ou vida eterna. Judeus e raças "não brancas" (denominadas
raças sujas) são referidos como inimigos naturais da raça
branca. " Nós acreditamos que nossa raça é nossa religião
", diz um dos mandamentos. O objetivo é a Racial Holy War, a "Guerra
Santa Racial", cujo acrônimo RAHOWA é também a saudação
oficial des seus seguidores. A exterminação dos "inimigos
naturais" é o propósito de seus adeptos.
A partir da ascensão de Hale em 1996, a "WCOTC" tomou um impulso
incontestável. Logo ele reconheceu o sinal dos tempos e baseou toda
a estrutura para propagar e ampliar sua seita na nova mídia que
nascia: A internet.
A web: Altar do extremismo e ódio
" A internet tem o potencial para atrair milhões
de brancos com nossa mensagem e nós precisamos utilizar isso sem
entremeios ", disse Hale numa entrevista.
Com agressivas campanhas na www, sistema de newsletters periódicos,
bate-papos virtuais, mensagens online e incentivo à multiplicação
de web sites institucionais da seita, Matt Hale conseguiu atrair cada vez
mais simpatizantes e a atenção de outras mídias. Igualmente
o caixa da organização passou a tilintar prodigiosamente.
A WCOTC adquiriu inclusive um canal a cabo, o "White Revolution", que vai
ao ar em três estados dos EUA. No seu próprio estado contudo,
Illinois, a seita é proibida oficialmente como religião.
Até hoje Hale não teve êxito nas tentativas para receber
a licença legal necessária. O assassinato por um seguidor
da seita de duas pessoas pertencentes uma minoria ética, tem sido
o argumento da justiça local para negar a permissão.
Um panfleto de 32 páginas, extremamente anti-semita e racista,
intitulado " Fatos que o governo e a imprensa não querem saber "
é a isca de marketing normalmente usada pela seita para atrair simpatizantes.
Denegrindo as demais raças e propagandeando supostas teorias
conspiratórias dos judeus para controlar a imprensa, o texto
apresenta supostas provas da superioridade biológica da raça
branca.
No site principal da seita funciona um serviço online de noticias.
Não raro está lá estampada uma foto de negros que
tenham assassinado um branco. Brancos que assassinam pessoas pertencentes
a minorias éticas são festejados como heróis.
As pastorais do racismo
A estrutura da World Church tem uma forma delineada para estimular o
recrutamento de membros de acordo com seu papel ou grupo na sociedade.
Há a ala WCOTC Kids! também chamada "Creavity for Kids" dedicada
às crianças, que possui seu site com motivos e design especialmente
concebidos para atrair o público infantil. O site contém
jogos de cunho rascista. A Womens Frontier
e a Sisterwood of the WCOTC são voltadas às mulheres; de
raça branca, claro. A seita não considera a mulher de forma
igualitária ao homem, mas as tem como fundamentais para a sobrevivência
da raça branca. Elas podem ascender na hierarquia interna, sendo
possivel chegar à posição de Reverendo.
Além disso um grupo treinado de jovens, denominado "Creator Rangers",
é o responsável pela segurança. Violentos, o treinamento
e preparação dos mesmos vai de lutas marciais ao manuseio
de armas de fogo. Formam o pelotão de choque da organização,
os soldados da Revolução Branca.
A WCOTC e a mídia
O "Pontífice Máximo" é na verdade a locomotiva
da organização, tanto para catapultar eventos na mídia
como para, com refinamento, reverter através de dribles de retórica
e pragmatismo uma situação desvantajosa ou inconveniente.
Isso ocorre de forma sistemática mesmo em detalhes do material promocional
da WCOTC: Embora conteste o cristianismo e o caracterize como uma religião
concebida pelos judeus, é no público cristão que Hale
busca a maioria de seus seguidores. E ele tem perfeita consciência
disso. Cuidadoso quando o tema é Cristo e mestre na manipulação
do pensamento, ele logo desvia o assunto, colocando o foco na valorização
dos cristãos brancos. Todo o material de propaganda utilizado pela
seita não contém críticas ao cristianismo. Uma tática
que tem dado certo.
Eloquente, ele sabe usar todos os espaços que são abertos
através da polêmica que a WCOTC tem causado.
Comparecendo a numerosas estações
de rádio para entrevistas e debates, noticiários em
tablóides, ele procura promover sua causa, seja qual for o oponente
a enfrentar. Assim já participou dos principais programas de Talk
Show dos EUA, como o de Jerry Springer, Ricki Lake e Leeza Gibbsons. Foi
entrevistado no canal NBC em um especial intitulado "Web of Hate" (Web
do ódio) e incluído em um painel sobre "Raça na América"
da MSNBC, transmitido em em rede nacional.
O "Papa" do racismo não tem mesmo o que reclamar. Sua World
Church of the Creator já está presente em 22 estados norte-americanos
e em dez países, boa parte deles na Europa. É sem sombra
de dúvidas o braço religioso-espiritual do ódio real
e virtual. Mundialmente. RAHOWA! |