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Segunda, 11/06/01 
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Direitos ABKnet 
 
A ONG do aborto

Em 1997 a holandesa Rebecca Gomperts trabalhava como médica a bordo de um navio da organização Greenpeace, que navegava pelas águas da América do Sul. Conversando um dia com um médico brasileiro ela, que é especializada em ginecologia pela universidade de Amsterdã, foi informada sobre os graves problemas  de saúde enfrentados pelas mulheres que recorrem ao aborto ilegal, devido às restrições existentes no país. Complicações cirúrgicas, pós-cirúrgicas e frequentemente a morte é o que espera quem decide interromper uma gravidez indesejada. Impedimentos legais, limitações financeiras, sem falar no preconceito, levam a maioria das mulheres às mãos de pessoas despreparadas, clínicas clandestinas sem as mínimas condições de higiene e nenhum acompanhamento médico após o procedimento. 
Rebecca ouviu tudo e passou a se interessar e estudar sobre o assunto. Descobriu por exemplo, que aborto ilegal é um dos maiores problemas de saúde pública e a principal causa de mortalidade maternal mundial- mente. Constatou que anualmente ocorrem 53 milhões de abortos ao redor do planeta, dos quais 20 milhões ilegalmente. Exatamente os ilegais são a causa da morte de cerca de  70 mil mulheres por ano. " -Equivale à queda de um avião Jumbo por dia ", diz Rebecca, que completa 35 anos em julho próximo, .. " - Isso sem contar as vítimas de complicações e até seqüelas posteriores. Outro grave problema é, da mesma forma, a degradação social que muitas mulheres são vítimas por sequer ter acesso ao aborto. A rejeição social associada ou não à pobreza, é a origem da prostituição de jovens mães solteiras, principalmente na América do Sul, África e Ásia ", conclui ela.

Direitos Humanos da Mulher

Quase dois anos após sua sua conversa nos trópicos, Rebecca fundou, em maio de 1999, a organização não governamental " Women on Waves ", com cunho caritativo de acordo com a legislação holandesa e o objetivo de defender não apenas os direitos da mulher, mas os " direitos humanos da mulher " como o estatuto da ONG frisa, sendo de forma específica o direito feminino de decidir sobre sua reprodução.
" O aborto é uma opção. Nosso trabalho é possibilitar a mulher de decidir sobre sua fertilidade e seu direito de reproduzir ou não. Isso tem relação direta com os direitos humanos da mulher, com sua capacitação, com sua emancipação ", sintetiza Rebecca Gomperts, que vem se tornando nos últimos dois anos um baluarte da luta mundial pelos direitos da mulher.

A holandesa navegadora

Foi de sua experiência no Greenpeace que Rebecca teve a idéia inusitada. Para contornar o problema de legalidade do aborto pelo mundo afora, ela fretou, com os recursos angariados para a "Women on Waves", um navio batizado de " Sea Change " , equipado com um container onde funciona uma clínica com toda infraestrutura material e humana necessária para realizar abortos. O navio ancora formalmente no porto do país visitado (onde o aborto é proibido), recebe a bordo as mulheres interessadas, seguindo então para águas não territoriais. Com isso fica descaracterizado o crime. Abortos cirúrgicos não são, contudo, realizados no navio. O método utilizado é com a pílula RU 486. 
O navio também tem o objetivo de realizar cursos de educação sexual e conscientização sobre os direitos  da mulher, obviamente para o público feminino. O container pode ser transportado também de caminhão para qualquer local em terra, sem prejuízo de seu objetivo.

Irlanda é a próxima parada

O "Sea Change" acabou de zarpar de Amsterdã na direção da Irlanda. Lá o aborto só é permitido em caso de risco de vida para a mãe. Por este motivo milhares de irlandesas se dirigem à Inglaterra anualmente, onde não existe a proibição. O navio está sendo esperado no porto da cidade de Dublin na próxima quinta ou sexta-feira.
A fama repentina do " Women on Waves " não está atraindo apenas simpatizantes e mulheres interessadas em interrupção da gestação.  Grupos anti-aborto já começam a gritar contra a organização de Rebecca. Alguns deles da Irlanda, já prometeram escorraçar o " Sea Change ", tão logo ele aporte em Dublin.
 

Não deixe de visitar: O site do Women on Waves

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