ABK NET 
Notícias - Reportagens - Produções

[ Home |  | Volta  | E-mail ]


 
Quinta 27/12/01 
ABKnet News 
Direitos ABKnet 
 

CBF usa lavanderia de Kohl e traficantes
Como o crime organizado internacional lava o dinheiro ílicito
.

Batliner e Kohl: Amigos de copos e negócios (Foto:Swiss)

Há pouco mais de dois anos atrás a ABKNet revelava a expansão do pequeno principado alpino de Liechtenstein como centro mundial de lavagem de dinheiro. A matéria repercutiu e foi reproduzida em partes por diversos meios de comunicação brasileiros, na íntegra pelo Jornal do Brasil, em novembro de 1999.
O presente trabalho  teve como ponto de partida um documento da COAF, Conselho de Controle de Atividades Financeiras, publicado na imprensa brasileira recentemente. O papel da COAF desvendava uma operação financeira feita entre uma empresa baseada em Liechtenstein e outra pertencente ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Um pormenor passou despercebido para as autoridades e imprensa brasileiras. Além de comprovar uma suspeita, a de que o crime organizado também no Brasil mudou sua estratégia para lavar seus milhões, o detalhe de dois nomes, irrelevantes talvez do ponto de vista técnico, trazem à tona coisas que abordam diretamente o mérito do fato. Os dois nomes são Hans Gassner e Alex Wiederkehr. Eles são sócios no maior escritório de consultoria jurídico-financeiro do principado, o "Prokurations Anstalt" e os "laranjas legais" da "Sanud Etablissement" que lavou 2,9 milhões de reais enviados como empréstimo à R.L.J Participações do Rio de Janeiro, pertecente a Teixeira, como provou o documento de transferência bancária do COAF. Gassner, que por sinal foi presidente da Federação de Futebol de Liechtenstein, como descobrimos, e Wiederkehr que é praticante de Curling, parecem ser os responsáveis pelo setor América do Sul da "Prokurations Anstalt", como se verá ao longo da matéria. O caso de Teixeira é com certeza apenas a ponta de um iceberg.
Nossa investigação envolveu dias de procuras, consultas, telefonemas além dos pouco mais de 800 km percorridos em uma rápida viagem por três países europeus, Alemanha, Áustria e o próprio principado de Liechtenstein. A maioria dos dados aqui revelados têm por base documentos que possuimos ou tivemos acesso. Todos os direitos desta matéria são exclusivos da ABKNet.

O duplo Doutor

O Prof. Dr. Dr. Herbert Batliner (isso mesmo, duplamente doutor) completou este mês 73 anos. Ele é um homem de fino trato, aprecia bons vinhos, caminhadas alpinas, possui muitas, muitas ligações, perigosas ou não mas sobretudo lucrativas e é  o poderoso chefão da "Prokurations Anstalt" e outras empresas.
O Dr. Dr. tem diversos livros publicados, profere palestras sobre globalização, foi presidente da corte constitucional do principado e é detentor de ordens, comendas e títulos de diversos países europeus, entre elas a Ordem Real de Leopold da Bélgica, a Grande Ordem da Águia do Tirol, diversas outras da Áustria,  exercendo lá uma cátedra na universidade de Salzburg. Ele foi condecorado também com a Ordem da Cruz de Silvestre com Estrela do Vaticano, onde é membro do conselho da Academia Papal de Ciências Sociais.  Batliner é um homem que acende uma vela para Deus e muitas para o diabo.
Com doutorado em direito e economia, ele tem acesso a governantes e aristocratas, sendo procurado por endinheirados de todo o mundo. Principalmente endinheirados que precisam urgentemente colocar em porto seguro milhões, pouco importando a origem, seja dos endinheirados ou dos milhões. Porto seguro, para frisar claramente, significa tirar os milhões do alcance de terceiros, de forma que seja impossivel sua localização, rastreamento ou confisco. Mesmo que os terceiros sejam os fiscos de diferentes países, a justiça ou a policia de qualquer lugar do planeta. 
Dr. Dr. Batliner é um homem infalível em seus negócios, da mais alta confiança para seus clientes e o mais proeminente advogado do principado de Liechtenstein, o pequeno país encravado nos Alpes.

Vaduz, capital do principado, é uma pequena cidade de pouco mais de 5 mil habitantes e uma área de 17,3 km2.  Ali estão distribuídas, em algumas dezenas de ruas, as casas e prédios de pequeno porte (nada de arranha-céus) que comportam bancos, hotéis, residências, alguns supermercados, lojas e a infinidade de escritórios da cidade. Tudo numa mistura de arquitetura alpina e convencional urbana, sem modernismos, tudo muito discreto. Discreção é um requisito fundamental não apenas nas fachadas dos prédios de Vaduz, mas principalmente no que ocorre no interior deles.

Em qualquer ponto do centro da cidade é possivel avistar, no alto do Schlossberg (Monte do castelo), o símbolo do principado tendo como bastidor a silhueta romântica dos Alpes: O imponente castelo do príncipe Johannes Adam II. É como no Rio de Janeiro onde de qualquer ponto da cidade  é possivel localizar o Cristo Redentor no alto do Corcovado. À noite o castelo também é iluminado. 
As semelhanças não terminam por aí. E a casualidade da coincidência desse detalhe geográfico não se aplica às outras coincidências que serão aqui reveladas. As provas contundentes de que o arquiteto da acrobacia financeira descoberta no maior escândalo político (ou financeiro?) da Alemanha pós-guerra, envolvendo tanto o mentor da reunificação das duas Alemanhas, o ex-chanceler Helmut Kohl, como o seu partido, o CDU, e outros políticos,  é o mesmíssimo arquiteto do esquema de lavagem de dinheiro de sonegadores e criminosos da América do Sul, entre eles a quadrilha brasileira da CBF, a Confederação Brasileira de Futebol, são irrefutáveis. 
O duplo doutor Batliner e seu grupo empresas de consultoria jurídico-financeira são os responsáveis pela criação de dezenas de milhares de empresas e fundações fantasmas com o intuito único de esconder dinheiro.
Com as bençãos legais do príncipe, poderes constituídos de Liechtenstein e para alegria dos 16 bancos de Vaduz, número que representa.uma média de 1 banco para cada 300 pessoas. Levando em conta toda a população do principado, 32 mil habitantes, a média é de 1 banco para cada 2 mil pessoas. Um fenômeno. As estimativas do dinheiro lavado no lugar vão de 150 a 400 bilhões de dólares. É uma variação muito grande para qualquer cálculo. Ninguém pode dizer na verdade a soma correta. Liechtenstein é um literal buraco negro das finanças internacionais.

A carta misteriosa

Hans Adam, como o príncipe é chamado por seus súditos, é mais que um príncipe de uma monarquia constitucional como outras européias. Ele domina a ferro e fogo um parlamento marionete e os poderes constituídos. Nada acontece sem seu crivo e já ameaçou vender todo seu "reino" a Bill Gates, numa das poucas vezes em que foi contrariado. Além de praticamente dono dos 160  km2 de Liechtenstein ele também é proprietário do maior banco do lugar e produz até vinhos. Situada no vale superior do rio Reno, a região de Vaduz é propícia ao cultivo de uvas. Quem percorre as estradas da área percebe isso pelos inúmeros vinhedos existentes. Boa parte deles pertence também ao príncipe. 

O principal acesso ao principado é feito pela auto-pista que liga a Alemanha à Itália. O aeroporto internacional mais próximo fica em Zurique, a 130 km de Vaduz. 
É comum ver filas nos postos de fronteira. São turistas que fazem questão de ter seu passaporte carimbado para registrar a presença no exótico país, uma forma de souvenir de viagem. Outros preferem evitar isso. Para eles é preferível, se possivel, um passaporte sem carimbo algum, muito menos de Liechtenstein. Vistos em passaportes são para a polícia um bom referencial para reconstituir os caminhos de um criminoso.

A parte mais antiga do castelo medieval de Hans Adam data do século 13. Construído sobre a solidez de uma formação rochosa, ele chegou a ser destruído em uma das inúmeras guerras da Europa, em 1499. Reconstruído logo depois, foi sendo ampliado através dos séculos. 
Além de residência do príncipe regente ele serve de sede oficial das autoridades do minúsculo estado. Foi numa das dependências do castelo, mais precisamente onde funciona o Departamento de Informação e Imprensa do governo, que no dia 3 de março de 1997 chegou uma estranha correspondência anônima.  Dentro do envelope tamanho ofício estava um relatório de trinta páginas com dados detalhados sobre pessoas da vida economica e do governo do principado e suas relações com o crime organizado internacional. Minuciosamente era relatado como bancos, advogados e os chamados agentes fideicomitentes legais, espécie de laranjas oficiais que servem como procuradores de clientes que querem abrir empresas (trustes) ou fundações de fachada, estavam agindo para lavar boa parte do dinheiro sujo do mundo. Assim como a sombra dos Alpes, ao cair da tarde, cobre o castelo de Vaduz, o silêncio real cobriu o conteúdo da inusitada missiva. Mais de dois anos anos se passaram, sem que o caso tivesse maiores repercussões.

Lavanderia real

Com certeza as autoridades principescas estavam na moita, sabendo que algo iria ocorrer. Poucos meses antes da chegada da carta anônima, em agosto de 1996, uma prisão feita em Washington pelo temido departamento anti-drogas dos EUA, o DEA, inquietara os círculos juristas locais. O consultor financeiro suiço Karl  Burkhardt, caça-clientes dos escritórios do principado no novo continente, caíra numa armadilha em uma operação montada pelos policiais que, disfarçados de traficantes, fingiam querer lavar 2 milhões de dólares. Quantias menores já haviam sido anteriormente lavadas, com o objetivo de concretizar provas.
Preso em flagrante, Burkhardt confessou à justiça norte-americana ser "free-lancer" comissionado do escritório do advogado e agente fideicomisso David Vogt, de endereço na Rheinstrasse 54, localidade de Balzers ao sul de Vaduz, em Liechtenstein. Interrogado sobre o caso, David Vogt declarou apenas ter sido procurado pelo suiço para abrir uma empresa para um cliente da América do Sul, que pretendia com ela transacionar uma soma em uma conta numerada. Sobre dinheiro proveniente do narcotráfico ele nada sabia. Perguntas sobre detalhes Vogt simplesmente apregoou não lembrar, afirmou não ter administrado os fundos e por precaução  renunciou ao mandato da empresa fantasma. A amnésia repentina é típica dos advogados de Liechtenstein.

Paralelo a este precedente, já corria desde 1992 um caso espetacular de lavagem de dinheiro nas cortes americanas. Desta vez não era armação de agentes policiais. Em junho de 1992 as forças anti-drogas do Equador, auxiliadas pelos colegas norte-americanos, invadiram e prenderam em sua residência em Quito, o mega-traficante Jorge Hugo Reyes Torres. Torres era peça central da máfia da droga colombiana e mexicana. Sua prisão ganhou as manchetes de então pelo requinte de sua casa-fortaleza e por ter sido encontrado escondido sob um monte carvão.
As investigações dos papéis apreendidos na residência de Torres revelaram  a existência de fundações com endereços em Liechtenstein.  Segundo os documentos, em 1989 foram criadas as "Fundación El Tablón" e a "Fundación Buena Esperanza". As contas abertas simultaneamente para as mesmas foram imediatamente engordadas com um cheque do banco alemão Dresdner Bank no valor de 17,1 milhões de dólares, sendo 9 milhões para a "Buena Esperanza" e o resto para a "El Tablón". Pouco depois as duas fundações foram extintas e outras duas criadas. A "Fundación Raboutage" teve transferida para ela a soma da "El Tablón", a "Fundación Somateria" substituiu a "Buena Esperanza". Em maio de 1990 mais duas fundações foram criadas por Torres, a "Kalahany" e a "Tajamul". Para elas foram abertas três novas contas, para onde foram transferidas as somas existentes na "El Tablón" e "Somateria". Ali estava, para a justiça dos EUA, um novo modelo de apagar pistas de dinheiro sujo. A sorte de ter encontrado os papéis levava a um lugar a milhares de quilômetros de distância, num bucólico principado perdido na maior cadeia de montanhas da Europa. Este foi até o momento o único caso em que Batliner e seu pessoal tiveram divisas confiscadas de seus clientes. Uma raríssima exceção.

As autoridades americanas pasmaram ao constatar que tantos as "fundações" quanto os responsáveis técnicos pela manobra de lavagem, os "laranjas jurídicos" eram de Liechtenstein. Mais precisamente do escritório "Procurations Anstalt", pertencente ao Prof. Dr. Dr. Herbert Blatiner e seus sócios. O representante oficial constante no registro das fundações trazia o nome do advogado Alex Wiederkehr, do grupo de Blatiner. Ele mesmo, o Alex Wiederkehr que aparece na empresa Sanud Etablissement no caso do presidente da CBF, Ricardo Teixeira. O fato não tem nada de acaso, como constatamos, e nem seria um caso isolado.
Se há algo que os advogados de Liechtenstein temem, é a justiça norte-americana. O escritório de Batliner logo iria renunciar ao mandato de Torres e sua familia, o que possibilitou desvendar quem na verdade estava por trás das fundações:  O próprio Torres, sua esposa Dayra María Levoyer Jiménez e os três filhos do casal. Em agosto de 1999 a corte federal americana conseguiu confiscar o dinheiro pertecente à "Fundação Somateria" que estava em uma conta numerada num banco suiço. As autoridades entretanto têm certeza de que a quantia lavada pelo traficante é muito superior aos 17 milhões localizados. Eles presumem que há mais dinheiro ancorado nos Bank Liechtenstein e no VP Bank de Vaduz. O modelo e refinamento dos métodos de Batliner e seus advogados contudo não permitiram até hoje chegar a eles. Torres continua preso numa cadeia de alta segurança em Quito. Uma interrogação que ficou é a declaração de esposa de Torres, de que só foi avisada um ano depois pelo escritório de Batliner sobre o fechamento das fundações descobertas 

Blatiner & Partners

A carta anônima enviada à assessoria de imprensa do príncipe, no início de 1997, não mencionava os dois casos acima relatados mas, em contrapartida, enumerava outros ainda mais assustadores.
As cerca de 260 bancas de advogados especialistas na criação de trustes e fundações do principado concentram-se principalmente em Vaduz, sendo que a maioria e mais importantes estão nas ruas Austrasse, Pflugstrasse, Aeulestrasse e Landstrasse.  Na Aeulestrasse, logo no início, do lado esquerdo, número 5 está a "Allgemeines Treuunternehmen" e a "Allgemeine Treuhand AG". Mais à frente, do lado direito, número 38 está a "Praesidial Anstalt". Cem metros adiante, do mesmo lado, número 60, encontra-se a "Audaris Treuhand Anstalt". O número 74, um prédio de três andares, é o endereço de ouro do pedaço. Ali funciona  o escritório do Prof. Dr. Dr. Herbert Blatiner. Considerando que oficialmente o número de advogados licenciados para as atividades de criação de trustes chega a pouco mais de uma centena, conclui-se obviamente que, num complicado jogo de sociedades e parcerias, existem participações conjuntas entre eles, bem como firmas diferentes pertencentes ao mesmo especialista ou grupo deles. A simbiose é exemplar e difícil de ser localizada apenas lendo as pequenas placas nas entradas dos prédios. Assim, por exemplo, a "Audaris Teuhand Anstalt" que funciona no número 60 da mesma rua, tem como sócio o advogado Martin Gostöhl, que por sua vez tem seu endereço comercial oficial no número 74, do grupo Blatiner. Um jogo de quebra-cabeças. No mínimo dez empresas possuem Blatiner na sociedade, sua esposa, filha ou sócios sob seu comando. De acordo com o registro comercial de Vaduz são elas a "Procurations Anstalt", "Asango (Separate) Treuhand-Establissement",    "Auctoriana Anstalt",  "Audaris Treuhand Anstalt",  "Dorbat Treuhand- und Verwaltungsanstalt", "Pasango Treuhand-Anstalt" e a "Thornhill Trust AG", "BPB-Vertrauen AG", "Firmata Treuhand Anstalt" e "Interfiducia Trust".
Os principais e conhecidos sócios do mesmo são por ordem alfabética Alex Wiederkehr, Hans Gassner, Martin Gostöhl , Mario Simmen e Mathias Donhauser, além de sua esposa Rita Batliner e filha Angelika Batliner Moosleitner.

O Dossiê Liechtenstein

Em abril de 1999 alguns integrantes do governo social-democrata de Schröder na Alemanha, entre eles o próprio Schröder, receberam um dossiê do BND (Bundesnachrichtendienst), o serviço de informação do país, contendo revelações que incluiam até mesmo grampeamento de operações bancárias de instituições financeiras de Liechtenstein feitas por satélite. O dossiê Liechtenstein, como ficou conhecido, rodou por círculos fechados do governo até vazar para a imprensa local em novembro do mesmo ano. O conteúdo do mesmo, apurou-se tempos após, era idêntico ao da misteriosa carta que desde 1997 dormia em alguma sala de sua majestade Hans Adam, no castelo de Vaduz.

O conteúdo detalhado do dossiê nunca foi publicado na imprensa. A ABKNet teve acesso ao documento que mostra no  apêndice 2, ponto 1, páragrafo 1.1,  o título traduzido para o português: Escritório do Prof. Dr. Dr. Herbert BATLINER
No texto o dossiê acusa Batliner de administrar enormes quantidades de dinheiro sem se preocupar com a origem ou reputação dos donos do mesmo. Batliner é acusado de lavar  gigantescas somas de divisas e ouro desviados pela máfia russa após a queda do comunismo, servir a barões da droga como o falecido colombiano Pablo Escobar e ao cartel de Medellin e Cáli, além de ditadores como o também falecido Mobutu do Zaire e da familia de Ferdinando Marcos das Filipinas. Além dos trustes, Batliner utiliza o Verwaltung- und Privatbank (VP Bank) de Liechtenstein via Caribe e Ilhas Virgens Britânicas, onde funciona uma filial da instituição.

O príncipe Hans Adam, após a divulgação do dossiê pela imprensa alemã, distribuiu uma nota em Dezembro de 1999, afirmando que a carta anônima não foi encaminhada para ele até aquela data pelo seu departamento de imprensa. Somente após a divulgação do fato a correspondêcia chegou a ele, segundo o príncipe. Apesar das promessas nada aconteceu até hoje para averiguar com seriedade as denúncias. O principado de Liechtenstein faz parte da lista negra de países não cooperativos contra a lavagem de dinheiro, lista divulgada pelo OCDE Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Economico.

Alex Wiederkehr e Hans Gassner

Juntamente com Batliner, Wiederkehr e Gassner parecem formar um time perfeito. Eles estão também em numerosas instituições beneficientes como membros e patrocinadores. Como o teatro am Kirchplatz na localidade de Schaan, satélite de Vaduz, patrocinado por uma cooperativa de ilustres. Numa entidade beneficiente voltada a deficientes, a VDMFK, descobriu-se entretanto que os maiores beneficiados são na verdade Batliner, seus sócios e sua familia. Procuradores Federais da Alemanha estão interessados pelo assunto. Segundo artigo publicado na revista Stern, o sistema funciona com empréstimos fictícios, de onde são desviados as contribuições destinadas aos deficientes. O mesmo processo portanto, usado no caso de Teixeira da CBF. Segundo o especialista Anton Goetzenberger, autor do livro "Schwarzgeld- Anlage in der Praxis" (Dinheiro Sujo - Investimento na Prática), os "profissionais da lavagem criam empresas de caixa postal no exterior, para levar para lá o dinheiro conseguido ilegalmente e através de pseudo-empréstimos, reintegrá-lo no círculo economico".

Atribui-se aos modelos e peripécias de lavagem de Batliner e seus colegas, em conjunto com  o sistema de leis e economico de Liechtenstein, o fato de que boa parte dos milhões tornam-se impossiveis de ser rastreados, muito menos confiscados. Como no caso da parte salva do patrimônio criminoso do filipino Marcos ou do (até hoje em andamento na justiça) caso dos milhões do CDU de Helmut Kohl onde o próprio Batliner foi indiciado por crime de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Batliner, amigo íntimo de Kohl, passou a assessorar os políticos alemães diretamente quando os bancos suiços começaram a ceder e quebrar o sigilo bancário, abrindo as contas para os investigadores internacionais à procura de dinheiro comprovadamente sujo. Já não era suficiente nem seguro ter uma conta numerada para ancorar divisas de origem duvidosa. Tornava-se necessário obstáculos jurídicos para criar barreiras no rastreamento. Esta necessidade foi a luva que faltava na mão do principado. Com suas fundações, trustes e cumplicidade legal dos bancos e poderes constituídos fica impossivel saber quem é quem ou o que pertence a quem. Assim foram aportadas as enormes somas do partido de Kohl, ditadores ou criminosos do mundo inteiro, de forma que até hoje as autoridades responsáveis  não conseguem ter acesso nem identificar oficialmente os verdadeiros donos. Os muros jurídicos são intransponíveis.
No episódio do CDU alemão, Hans Gassner teve também seu nome envolvido, atuando como laranja na entidade que abrigou as quantias referentes à secção do partido no estado de Hessen.

Em outro caso típico, desta vez envolvendo o presidente Habibie da Indonésia, a empresa fictícia "Grammont Etablissement", que tinha como "laranja oficial" o próprio Blatiner, recebeu quase um milhão de dólares de comissões de uma empresa alemã, provavelmente provenientes de propinas por contratos na Indonésia. Com a descoberta do caso, Batliner retirou-se do truste e entraram em seu lugar os sócios Hans Gassner e Mario Simmen. Embora com todas as evidências e conhecendo os envolvidos, os investigadores não conseguem ter acesso às provas definitivas. 

Surpreendente é mais uma descoberta feita pela ABKNet. A Companhia Sudamericana de Vapores (CSAV) é uma empresa chilena de navegação. No complicado diagrama de subsidiárias e agências da empresa encontram-se filiais espalhadas pelo mundo. Libéria, Alemanha, Uruguai são apenas alguns. No Brasil, por exemplo, a empresa tem a Companhia Libra de Navegação, em Itajaí. No Panamá, outro centro de bondades fiscais do mundo, chama a atenção quatro empresas subsidiárias. A Corvina Shipping Co. S.A, proprietária através de filiais de três navios, a Tollo Shipping Co. S.A., proprietária através de filiais de cinco navios, a Inversiones Plan Futuro S.A. cujo objetivo social é negociar e administrar fretes, linhas marítimas, bens móveis e imóveis e operações financeiras, não possuindo navios e a Inversiones Nuevo Tiempo S.A. com o mesmo objetivo da Plan Futuro.
As quatro são acionistas majoritárias de mais de trinta outras pertencentes, por tabela, ao grupo da CSAV.

Todas as quatros têm no seu quadro de diretores ninguém mais que Hans Gassner, que é ao mesmo tempo o "General Manager" de todas e Alex Wiederkehr que participa da Inversiones Plan Futuro. O que leva advogados financeiros de Liechtenstein a possuir navios em um paraíso fiscal caribenho? O poderoso chefão Batliner não aparece na constituição das empresas mas possui pelo menos duas outras no Panamá. A Confido Administracion S.A. da qual é ele o presidente e a Ventran Company Inc. que é representada por Franz Ender, ninguém mais que o próprio contador de Batliner no principado.

Batliner, Gassner e Wiederkehr formam mesmo uma trinca perfeita. Não é por acaso que  Teixeira, Escobar, Kohl e outros os tenham na mais alta estima. O chefão está nos últimos tempos sendo mais uma vez incomodado pelas autoridades bisbilhoteiras dos EUA. Investigando as acrobacias financeiras do milionário fugitivo americano Marc Rich, anistiado por Clinton numa manobra suspeita de fim de governo, foi constatado que as empresas do grupo Batliner estão por trás do modelo financeiro de Rich.
É um verdadeiro colonialismo lavatório, o que o estado-anão alpino tem praticado nas Américas. 


Centro de Vaduz (foto ABKnet)

Veja ainda na ABKnet:

Os caminhos para apurar o escândalo da CBF

Filme surpresa 2002:  Em parte alguma da África

Topless meteorológico é sucesso na TV italiana

Tuvalu - A pequena nação está submergindo

Leia na íntegra: Mais recente entrevista de bin Laden 

Amazon.com muda para Linux

Hacker divulga e-mails de site do Taleban 

Suicida do World Trade Center era arquiteto insuspeito

Atriz erótica na web prejudica economia italiana

Natacha Merrit a fotógrafa e musa web, nua na rede

Cuba fura embargo econômico utilizando a web

Naked News: A TV de apresentadoras nuas da internet

O "Papa" do neonazismo e sua igreja racista

Ainda atual: a mais procurada página sobre neonazismo

Women on Waves: O aborto chega nas ondas do mar

Provedores escondem usar Linux

Empresa lança a impressora de aromas e sabores 

Internet protesta contra presidente Bush

Site denuncia fraude em eleição eletrônica para prefeito 

Microsoft declara guerra à pirataria de software

Empresas aposentam o PC e introduzem o notebook

E-commerce: Penitenciárias vendem produtos de detentos

Projeto web de língua portuguesa segue sem o Brasil

Mensagens do além: Site fúnebre envia e-mails póstumos

História de um assassinato - O  jornalista que sabia demais

John Bird - mais famoso sem-teto do mundo e seu novo site

A morte de Bill Gates se espalha pela web

Apaixonados em Auschwitz - História de uma fuga espetacular

Ashley Power: A garota que conquistou a web nos EUA

Natacha Merrit a fotógrafa e musa web, nua na rede

Site para os lalaus já está no ar: a homepage dos gatunos

O primeiro restaurante para cegos do mundo

Sushi virtual diz sobre futuro e personalidade

Empresa japonesa desenvolve o helicóptero ao alcance de qualquer um

Uma pirâmide no meio do mar traz dúvidas históricas

A câmera que vê através das roupas

Página principal com índice de todos artigos

News

Assine você também  nossos News

Também na ABKnet: O teste para seu Website: 
A oficina web para homepages

.[ Home |  | Volta  | E-mail ]

ABKNET -  Pfarranger 4 -  84416  Taufkirchen / Vils -  Germany
 Tel.: 0049 - ( 0 ) 8084 - 3359        Fax: 0049 - ( 0 ) 8084 - 7785